“Que a Saúde se Difunda sobre a Terra” (cf. Eclo 38,8).
Ao abordar a saúde, está se falando da vida, e a vida é um dom de Deus, que deve ser cuidado como um bem precioso. Deus chamou a todos para participar com Ele desta obra de Sua criação. A existência de cada pessoa tem uma finalidade, e ela está aqui para viver algo que dá sentido e alegria. Mesmo diante dos maiores desafios, a vida do ser humano não está sujeita ao acaso ou sorte; alguém desejou sua existência. Se toda forma de vida no planeta é criada e desejada por Deus, as pessoas são o bem mais valioso da criação, pois nelas está a imagem de Deus.
Ao longo da história, a humanidade se organizou com códigos, estabelecendo normas de controle em relação aos limites das infrações e suas punições em cada sociedade, resultando na criação das leis e regras. No entanto, esses sistemas criados e impostos foram concebidos pelos detentores do poder em cada região, e quem detinha esse poder eram pessoas que possuíam riqueza. Elas não foram consultadas nem construídas com a participação do povo; ao contrário, as punições eram destinadas a eles. Esses poderosos que estabelecem essas regras agem com base no prejuízo que sentem em relação aos seus bens. Esse conjunto de regras ignorou que a maioria da população não tinha o mínimo para sobreviver; o sistema econômico invisibilizou uma parcela da humanidade, marginalizando-os e privando-os de direitos básicos. Isso resultou na situação em que essa parcela de pessoas acaba infringindo essas normas. No atual sistema econômico capitalista, a sobrevivência se tornou ainda mais difícil. A crueldade desse sistema levou a uma grande parte da população periférica a ser encarcerada, muitas vezes por infringir normas para garantir o mínimo de alimento para suas famílias.



