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‘As prisões são uma Auschwitz do nosso tempo’

 em Igreja em Saída

Em visita à Polônia, por conta da Jornada Mundial da Juventude, em Cracóvia, no final de julho, o Papa Francisco esteve nos campos de concentração e extermínio de Auschwitz-Birkenau, e comentou que a crueldade praticada pelo regime nazista na primeira metade do século XX ainda hoje se mantém, nas situações como o encarceramento massivo.

“Recordar dores de 70 anos atrás: quanta dor, quanta crueldade! Mas é possível que nós, homens criados à semelhança de Deus, sejamos capazes de fazer estas coisas? As coisas foram feitas… Eu não gostaria de vos deixar amargurados, mas devo dizer a verdade. A crueldade não acabou em Auschwitz, em Birkenau: também hoje. Hoje! Hoje se tortura as pessoas; tantos prisioneiros são torturados, para fazê-los falar….É terrível! Hoje existem homens e mulheres em prisões superlotadas: vivem – perdoem-me – como animais! Hoje existe esta crueldade”, enfatizou o Pontífice, pedindo orações pelas atuais vítimas de tortura.

“Rezemos por tantos homens e mulheres que hoje são torturados em tantos países do mundo; para os encarcerados que estão todos  empilhados ali como se fossem animais. É um pouco triste aquilo que vos digo, mas é a realidade! Mas é também a realidade que Jesus carregou sobre si, todas estas coisas. Também o nosso pecado”.

Entrevistado pela rádio Vaticano para comentar as declarações do Papa Francisco, o Padre Gianfranco Graziola, vice-coordenador nacional da Pastoral Carcerária, comentou que as prisões brasileiras assemelham-se aos campos de concentração e extermínio.

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“O cárcere é uma tortura constante e contínua – no trato, na questão de comida, na questão de saúde, na questão também do ambiente. O próprio ambiente carcerário é fundamentalmente uma Auschwitz do nosso tempo. O tempo fez o Papa meditar isso. Ele também conhece a realidade brasileira, sabe das informações que a Pastoral lhe mandou várias vezes, mas penso que conhece outras realidades de prisão. Ele sabe realmente o que é a realidade prisional”, comentou o Padre Gianfranco.

Para o vice-coordenador nacional da Pastoral Carcerária, o princípio cristão de “condenar o pecado, mas ter misericórdia do pecador” deve ser sempre considerado.

“Nós da Pastoral Carcerária não compactuamos com o que o preso e a presa fez em um determinado momento da vida. Nós olhamos com um olhar de misericórdia para a pessoa. Nós queremos resgatar a pessoa. E para que possa ser resgatada, são necessárias condições humanas. A prisão é produto da nossa sociedade. O sistema é altamente desumano, opressor, altamente brutal”, detalhou o Padre Gianfranco.

O sacerdote enfatizou que não há outro caminho a ser pensado a não ser o desencarceramento. “Nós temos um alto percentual aqui no Brasil de presos provisórios e a maior parte deles, depois, são liberados. A cadeia é um instrumento de brutalidade. Defendemos o desencarceramento. E outro processo possível de desencarceramento hoje é a democratização da justiça, que chama a justiça restaurativa. A justiça não é mais vertical, é horizontal. É uma justiça que restaura relações, é uma justiça que responsabiliza não uma ou outra pessoa, mas responsabiliza quem cometeu o crime, faz sentir que o crime cometido tem efeito e tem causa, mas tem também consequências, de modo que possa percorrer e encontrar juntos, e como comunidade, caminhos novos para uma comunidade nova”, finalizou.

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