Seminaristas da Arquidiocese de São Paulo visitam presídios

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Interna_superior_missao_seminaristasA Arquidiocese de São Paulo realizou, entre 21 e 27 de julho, a missão de férias dos seminaristas, dividindo os candidatos ao sacerdócio em atividades em diferentes realidades pastorais. Dez deles estiveram ao lado da Pastoral Carcerária arquidiocesana em visita aos cárceres dos CDPs de Pinheiros, Belém e Vila Independência; nas unidades prisionais de Franco da Rocha, incluindo a ida ao Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico, além das penitenciárias femininas de Santana e da capital.
Apesar de diferentes cárceres, o cenário quase sempre foi o mesmo: celas superlotadas, precárias condições de higiene e desrespeito ao direito dos presos à saúde e à assistência jurídica, conforme relataram os seminaristas, que foram às prisões junto aos agentes da PCr, entre os quais o padre Valdir João Silveira, coordenador nacional da Pastoral.
Arley da Silva, 21, seminarista do 1º ano de Filosofia, afirmou que ficou chocado com a forma como os presos são tratados. “Às vezes, não temos noção do que acontece nos presídios. Os irmãos não são tratados como seres humanos. São jogados em celas lotadas e o ambiente é propício para o contágio de doenças, então é realmente difícil a situação que as pessoas vivem. Na teoria, o presídio tem a função de reeducar, de reabilitar a pessoa, mas não é um ambiente que faça com que a pessoa seja reeducada, que seja reinserida na sociedade. Dependendo da condição, deixa a pessoa ainda pior”.
Segundo os seminaristas, a precariedade em que os presos vivem faz com que se agarrem na primeira palavra de fé que encontram, tanto assim que até alguns evangélicos pediram terço e água benta aos missionários. “Talvez a Igreja precise estar mais presente, trazendo constantemente a Palavra, um aprofundamento. Vimos que as pessoas têm sede de Deus em qualquer lugar, em qualquer situação. Ter a oportunidade de levar essa palavra de conforto, mais que gerar frutos neles, gera frutos em nós também ”, apontou Arley, recordando que alguns presos buscaram saber como receber a Primeira Eucaristia.
Interna_inferior_missao_seminaristasNa avaliação do padre Eugênio Luis de Barros, 54, atuante na Pastoral Carcerária no CDP de Pinheiros, a ida às prisões “desperta nos seminaristas um interesse muito grande pelo oprimido, pelo excluído, por aquele não tem voz, nem vez. A nossa Igreja, e principalmente o papa Francisco, tem batido muito na tecla de que é preciso sair ao encontro daqueles que não tem oportunidade”, afirmou, complementando: “a nossa presença é fundamental para o encarcerado no sentido de dar um apoio, um acolhimento, não é passar a mão na cabeça, nada disso, mas ser um Evangelho vivo para eles, dentro de um ambiente de fechamento em que eles se encontram”.
Para Renan Dantas, 29, seminarista do 1º ano de Teologia Bom Pastor, a missão juntos aos presos “enriqueceu muito a visão que nós temos que levar a Palavra de Deus, levar a esperança, e também ajudar na questão humana deles. Mostrou para minha vocação que esta é a nossa primeira missão: levar a Palavra, o conforto, a assistência para aqueles que mais precisam. Percebi que um dos fatores que levam alguém à criminalidade é perder a dignidade de ser humano: só mata, só rouba, só faz coisas desse tipo aquele que não vê o outro como ser humano e não se vê. Então, é tirado dos presos isso também, a perspectiva de que eles são humanos”, destacou.

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