Nota das trabalhadoras e trabalhadores da PCr Nacional contra a reforma da Previdência e cortes na educação

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A Pastoral Carcerária Nacional sempre seguiu e vai continuar seguindo os ensinamentos de Jesus e a doutrina social da igreja, se posicionando ao lado dos mais pobres e da vida.

Sendo assim, apoiamos por completo a greve geral que vai acontecer nesta sexta-feira (14), que se coloca contra a reforma da Previdência e os cortes na educação, duas medidas que ameaçam o futuro da juventude do país, aumentam a desigualdade social e, como consequência disso, o encarceramento.

A PCr Nacional divulga abaixo nota escrita pelas suas trabalhadoras e trabalhadores, que vão aderir à greve geral, sobre a importância dessa luta. Confira:

“Quando o capital se torna um ídolo e dirige as opções dos seres humanos, quando a avidez do dinheiro domina todo o sistema socioecônomico, arruína a sociedade, condena o homem, transforma-o em escravo, destrói a fraternidade inter-humana, faz lutar povo contra povo e até, como vemos, põe em risco esta nossa Casa Comum”.
Papa Francisco

Nesta sexta feira (14), organizações sindicais, movimentos sociais e trabalhadoras/es de diversos setores irão realizar uma greve geral por todo país contra a reforma da previdência social proposta pelo atual governo. Outras pautas, como os cortes orçamentários na Educação, também fazem parte das reivindicações.

A retirada dos direitos mais básicos da população que vem ocorrendo no país, deixando a juventude trabalhadora – e também os mais velhos – sem perspectivas para o futuro é um grande retrocesso. Essas reformas e cortes vão atingir diretamente os mais pobres, ampliando a desigualdade social no país.

A reforma da Previdência não tem apoio popular, nem foi debatida a fundo com a sociedade; no entanto, há pressa do atual governo em alterar direitos históricos das/os trabalhadoras/es previstos nas Constituição Federal.

Em nota contra a reforma da previdência, de 28 de março de 2019, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) afirma que “as mudanças contidas na PEC 06/2019 sacrificam os mais pobres, penalizam as mulheres e os trabalhadores rurais, punem as pessoas com deficiência e geram desânimo quanto à seguridade social, sobretudo, nos desempregados e nas gerações mais jovens.

O discurso de que a reforma corta privilégios precisa deixar claro quais são esses privilégios, quem os possui e qual é a quota de sacrifício dos privilegiados, bem como a forma de combater a sonegação e de cobrar os devedores da Previdência Social. A conta da transição do atual regime para o regime de capitalização, proposto pela reforma, não pode ser paga pelos pobres.”

Em concordância, a Pastoral Carcerária Nacional entende que a reforma da previdência, os cortes na educação e o endurecimento penal, representado principalmente pelo “pacote anticrime” do ministro da Justiça, Sergio Moro, fazem parte de um projeto político de desmonte do Brasil, colocando o peso da crise econômica nas costas das/os trabalhadoras/es, das pessoas pobres e das periferias, enquanto que os que controlam a economia continuam lucrando.

Como diz o Papa Francisco, vivemos em uma economia na qual “o ser humano é considerado, em si mesmo, como um bem de consumo que se pode usar e, depois, lançar fora. Assim teve início a cultura do ‘descartável’ que, aliás, chega a ser promovida. Já não se trata simplesmente do fenômeno de exploração e opressão, mas de uma realidade nova: com a exclusão, fere-se, na própria raiz, a pertença à sociedade onde se vive, pois quem vive nas favelas, na periferia ou sem poder já não está nela, mas fora. Os excluídos não são explorados, mas resíduos, sobras”.

Endossamos a greve geral, pois acreditamos, em comunhão com o Papa Francisco, que essa economia de mercado, que, ao visar o lucro acima das vidas humanas e criar humanos “resíduos”, é responsável pelo sistema prisional que encarcera em massa e violenta os direitos das/os mais pobres.

Ao lado de milhares de trabalhadoras, trabalhadores e suas famílias, convidamos as/os agentes pastorais de todos os estados a participarem das mobilizações e irem às ruas na sexta-feira se somar aos atos.

Vivemos um momento de grandes retrocessos, e, se queremos um país justo, que respeite os direitos de seus cidadãos, não podemos nos desanimar e deixar que os que estão no poder executem um projeto político que irá condenar a nós e às futuras gerações.

Trabalhadoras e trabalhadores da Pastoral Carcerária Nacional
14 de Junho de 2019

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