Mariama nasceu em meio ao abandono. Sua mãe, sem condições de criá-la, a deixou no hospital com apenas três dias de vida. Criada por uma senhora a quem chamou de “Vó”, cresceu em um ambiente marcado pela rejeição e pelo desprezo da mãe biológica, que doou quase todos os filhos e desaparecia por longos períodos. Ainda na adolescência, buscou anestesiar sua dor mergulhando no uso de substâncias. Sua trajetória foi de sofrimento, dificuldades financeiras extremas e, por fim, o encarceramento. Quando saiu da prisão, encontrou sua casa em ruínas: sem água, sem luz, sem condições mínimas de sobrevivência.
Mesmo diante de tantos obstáculos, Mariama reconstruiu sua vida. Com o apoio da Pastoral Carcerária e da Arquidiocese através do bispo local , formou-se em técnica em enfermagem, refez os laços com seus quatro filhos e começou a trilhar um novo caminho. Mas agora, sua luta está comprometida . A justiça levou de volta ao cárcere por “abandono de incapaz” – ironicamente, a mesma mãe que a deixou sozinha no mundo agora é usada como justificativa para arrancá-la novamente de sua família e prender como se a negação de cuidado foi por vingança. (história verídica)
Mariama volta para a prisão. Sua história, infelizmente, é a história de tantas outras mulheres. Hoje, mais de 45 mil mulheres estão atrás das grades no Brasil. A maioria são mães, pobres, analfabetas, abandonadas pelos seus parceiros e por uma sociedade que insiste em não enxergá-las.
E no Dia das Mães? E no Dia da Mulher? Quem se lembra dessas Marias? O que se faz por elas além de discursos vazios?
Sempre ouvimos: “Eu passei por dificuldades e nem por isso fiz isso ou aquilo”, mas nem todas tiveram as mesmas oportunidades, nem todas enxergam um horizonte. Para muitas, o sonho sequer existe, e o que os governos estadual e federal fazem para amenizar o sofrimento dessas mulheres?
Por que o sistema penal ainda as trata como lixo descartável, enquanto os homens presos, muitas vezes, contam com redes de apoio?
Por que a mulher tem que sofrer desde o nascimento até a morte?
A sociedade machista impõe fardos pesados sobre as mulheres, exigindo delas sacrifícios desumanos. E Jesus? O que Ele fez?
Ele acolheu as mulheres!
Jesus curou a mulher encurvada (Lucas 13,10-13), libertou a mulher do fluxo de sangue (Marcos 5,25-34), impediu o apedrejamento da mulher adúltera (João 8,1-11). Ele quebrou regras para conversar com a samaritana (João 4,7-26), fazendo dela uma anunciadora da Boa Nova.
Jesus viu, amou e curou.
E a sociedade? Condena. Esquece. Ignora.
Mas Deus ama cada uma dessas mulheres.
Ama as que lutam por seus filhos e por um espaço digno.
Ama as mães, as que não são mães, as que criam seus filhos sozinhas, as que sofrem abusos e violências de todas as formas.
Porque nenhum homem nasce sem uma mulher.
Maria, a mãe de Jesus, foi a mulher do “sim”.
Maria Madalena, a primeira a ver o Ressuscitado, foi a anunciadora da vitória sobre a morte.
As parteiras salvaram uma geração ameaçada no Egito.
Mulheres, ocupem os espaços que são seus por direito!
Que o mundo sem cárceres não demore a chegar para cada uma de nós, mulheres
O Dia das Mães e o Dia das Mulheres são todos os dias!
Parabéns!