Vaticano recebe cartas enviadas ao Papa por presos e pede que PCr intervenha

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Em súplica pelo que acontece dentro da prisão, pessoas privadas de liberdade, familiares e agentes pastorais enviaram cartas ao Papa Francisco contando sobre injustiças e prisões arbitrárias. O Vaticano, por sua vez, respondeu, pedindo para que a Pastoral Carcerária intervenha nos casos. Em um deles, foi enviado um terço para uma mulher presa como resposta.

São histórias de prisões forjadas, sem provas, e pedidos de bênção e perdão. Em uma das cartas, um dos presos, com deficiência visual, diz que sua prisão foi forjada por policiais. Cumpriu cinco anos e sete meses de prisão. Pai de cinco filhos e recebendo um salário mínimo, foi preso novamente, envolvido em outro caso. 

“A única coisa que eu quero é ir embora daqui para cuidar da minha família, porque só ela para me dar forças, e Deus, em primeiro lugar. É muito difícil ficar sem enxergar, ainda mais preso.”

Em outra carta, uma mulher presa implora por perdão de pena e por um indulto de natal para visitar seus três filhos, que vivem em uma situação precária em uma favela com córrego a céu aberto, que passa na porta do barraco em que vivem. Com 58 anos e problemas nas pernas, diz não conseguir andar ou trabalhar. 

“A saúde no Brasil é muito ruim para os pobres, ainda mais estando presos. E a justiça quase não existe no país.”, diz.

A Pastoral Carcerária recebeu as cartas e respostas do Vaticano, e as encaminhará para agentes dos estados e para as pessoas presas.

Trajetória do Papa em defesa dos encarcerados

Papa Francisco tem uma intensa atuação ao lado dos pobres e dos presos. No último Dia Mundial dos Pobres, em 17 de novembro, almoçou com 1,5 mil pessoas em situação de rua em uma sala de audiência no Vaticano, além de realizar cerimônias de lava-pés, que geralmente eram destinada aos sacerdotes, com pessoas presas. 

O pontífice, em diversas ocasiões, já defendeu que ninguém deve ser privado do direito de recomeçar, e pede que as pessoas encarceradas não sejam estigmatizadas. Em encontro da pastoral carcerária internacional, realizado no ano passado, o Papa afirmou que a situação prisional é um reflexo de nossa realidade social. 

“Muitas vezes a sociedade, por meio de decisões legalistas e desumanas, justificada por uma suposta busca de bem e segurança, busca no isolamento e na detenção daqueles que agem contra as normas sociais, a solução definitiva para os problemas da vida comunitária. Isso justifica o fato de que grandes quantidades de recursos públicos são alocados para reprimir os infratores, em vez de realmente procurar promover o desenvolvimento integral das pessoas, reduzindo as circunstâncias que favorecem a execução de ações ilícitas”.

Desde sua época como arcebispo de Buenos Aires, já tinha o costume de visitar presídios e defender os direitos de pessoas presas. Foi a partir de seu comando que a Igreja Católica classificou como inadmissível a pena de morte. 

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