Artigo: Educar para um mundo Restaurativo

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Nestes dias foi dada grande relevância ao resultado do ENEM colocando uma ênfase especial sobre as 60 pessoas que alcançaram a nota máxima de mil. Isso parece uma percentagem irrisória e irrelevante respeito aos dois milhões e setecentos mil que realizaram a prova é que parecem não terem alcançado o mesmo sucesso que este punhado de gente.

Neste contexto uma reflexão se faz necessária e urgente em relação ao tema educação visto que existe uma confusão grande entre o que é educação, escolarização, alfabetização, e que estas duas últimas na realidade fazem partem de um processo bem mais amplo do que a simples aquisição de conhecimento num determinado campo ou disciplina.

A verdade é que hoje estamos diante de um dilema grande porque cada vez mais o conhecimento se reduz a uma pequena parcela do saber, insignificante e pobre em relação à complexidade de um mundo planetário que, ao mesmo tempo se apresenta fragmentado, individualista, pobre de valores e muito distante da realidade concreta da vida e de seus desafios que o dia a dia nos apresenta, a desigualdade social promotora de uma justiça punitiva.

Estamos diante de um universo arrogante, grosseiro, ignorante, escroto, sarcástico e consequentemente violento e truculento, incapaz de dialogar, sem ética alguma, fundamentalista, escravizado e cooptado para um projeto economicista, para o se dar bem na vida, custe o que custar, a empatia , gratidão , comunicação NÃO violente e outras ferramentas de promoção da justiça restaurativa poucos ainda conhecem e querem conhecer.

E que dizer da militarização da educação, onde na realidade se contradiz todo o aspecto pedagógico que o processo leva consigo com a rigidez militar, a lavagem cerebral, a falta de diálogo e de exercício da liberdade pessoal, valores sagrados do ser humano ao qual desagua na desigualdade promovendo as violências.

Não tenho duvida alguma, precisamos voltar a entender a educação no seu sentido semântico e significado mais profundo, ultrapassando o simples conhecimento de noções para adquirir os verdadeiros tesouros que, são os saberes ancestrais, fruto da sabedoria dos povos, de suas culturas que favorecem a pessoa humana na sua integralidade de conhecimentos construídos coletivamente para o bem de todos, onde dialogo, escuta, ações restaurativas contribuem para o bem viver e onde se realiza o sonho da “TERRA SEM MALES”, alicerces preciosos para a economia de Francisco e Clara e o Pacto pela educação propostos à humanidade por Papa Francisco.

Não deixemos de sonhar com outro mundo possível, restaurado, amigo e fraterno , onde os muros das divisões sociais caiam e o reino de Deus se instale vivendo um MUNDO SEM CÁRCERES .

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