Pastoral Carcerária: preso é mercadoria com privatização

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O padre Gianfranco Graziola, assessor da Pastoral Carcerária Nacional, que está em Manaus por ocasião das mortes nos presídios ocorridas nos dias 26 e 27 de maio, criticou a “privatização” dos serviços nas cadeias e disse que para as empresas contratadas, o “o encarcerado se torna uma mercadoria”.

“Com a privatização, temos cada vez mais a precarização do sistema e a comercialização. O encarcerado se torna uma mercadoria como tantas outras que são disputadas no mercado”, disse Gianfranco Graziola, na sexta-feira, 31, no programa Audiência Pública, da Rádio CBN Amazônia.

Ele criticou a Umanizzare, empresa que presta serviços de “ressocialização” nos quatro presídios onde ocorreram 55 mortes no domingo e na segunda-feira passados e disse que há uma contradição até no nome da empresa. “Não tem nenhuma humanidade, o preso e os familiares se tornam objeto desse negócio, desse sistema”, disse.

O padre Gianfranco Graziola está em Manaus por ocasião das mortes nos presídios e criticou a privatização: "o encarcerado se torna uma mercadoria”.

Gianfranco disse que o Estado precisa rever a terceirização dos presídios porque é inconstitucional e não tem gerado os resultados esperados pela sociedade, porque o serviço prestado é ineficaz.

“Há vários anos a Pastoral Carcerária vem dizendo que este não é o caminho (a privatização), porque é inconstitucional; o Estado não pode delegar essa sua função. E justamente onde temos privatização, temos as maiores chacinas e as maiores dificuldades, também, de ação da pastoral, precarização do sistema e comercialização do encarcerado”.

“Máquina de morte”

Para Luisa Cytrynowicz, assessora jurídica da Pastoral Carcerária Nacional, a forma como o sistema penitenciário funciona contribui para os massacres de presos. “Quem assume a gestão de presídios está assumindo uma máquina de morte. Nos relatórios das entidades que visitaram os presídios, vemos que a normalidade do funcionamento dessas unidades é uma violação dos direitos todos os dias. Tem os massacres que são casos mais graves, mas tem o massacre cotidiano daquelas vidas sendo destruídas aos poucos”, disse.

Do Amazonas Atual

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