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Em GO, 233 mortes em 6 meses nas ações da PM

 em Notícias

Do O Popular

O número de pessoas mortas em ações da Polícia Militar do Estado de Goiás (PM-GO) em 2018 já é o mais alto da história. Foram 233 mortes em seis meses, o equivalente a 86,2% do total do ano inteiro do ano passado. O número registrado este ano já é maior do que o computado em cada um dos anos anteriores a 2017. O total dos seis meses corresponde a mais de uma morte em confronto por dia. Não houve vítimas entre os policiais. Em relação ao primeiro semestre do ano passado, o aumento no número de mortes foi de 78%.

O alto grau de letalidade aparece em outros números levantados a partir de dados repassados pelo Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) e pela Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO). Mais de 31% das abordagens policiais resultaram em mais de uma morte. Um exemplo foi a ação ocorrida na madrugada de 3 de junho, na zona rural de Três Ranchos, quando sete pessoas foram mortas em suposta troca de tiros com a PM. De acordo com a SSP-GO, as vítimas eram suspeitas de integrar um grupo especializado em roubo a bancos.

Levantamento feito pelo POPULAR mostra que as abordagens policiais que resultaram em morte envolveram 351 PMs. Dentre eles, 81 participaram de mais de uma abordagem com mortes no primeiro semestre. Dois deles estiveram envolvidos – cada um – em 5 abordagens com morte. A Polícia Militar conta com efetivo superior a 13 mil pessoas.

Integrante do Grupo Especial do Controle Externo da Atividade Policial (GCEAP) do MP-GO, o promotor de Justiça Leandro Murata suspeita da legalidade dos confrontos. “Os números do Estado de Goiás demonstram de forma evidente que esse aumento não é causado pela intensificação da reação violenta das pessoas à abordagem policial, tendo em vista ser praticamente nulo o índice de agentes públicos vitimados nas respectivas intervenções”, aponta.

A SSP-GO defende que o que ocorre são “intervenções policiais no momento da reação do infrator da lei” e nega que exista um grupo dentro da corporação predisposto a ações letais. “Não existem policiais militares especializados em matar. O que existe em Goiás são policiais bem treinados, bem equipados e bem preparados para realizarem abordagens qualificadas”, argumenta a pasta em nota enviada à reportagem.

Bastidores

A escalada nos números acompanha o endurecimento no discurso da política de “tolerância zero”, que é confirmada por policiais e autoridades ouvidas pela reportagem. Pedindo para que suas identidades fossem mantidas em sigilo por receio de represálias, eles dizem que há uma política de estímulo ao confronto, visto como estratégia para diminuir os índices criminais oficiais. A SSP-GO nega essa relação.

Paralelo ao discurso de tolerância zero, desde o ano passado há também um contexto de guerra entre facções criminosas no Estado. A carioca Comando Vermelho (CV) vem dominando o tráfico de drogas na região metropolitana de Goiânia e disputa esse mercado ilegal com o Primeiro Comando da Capital (PCC), facção paulista. Esse cenário favorece a entrada de armamentos mais pesados e o aumento da violência dos criminosos.

Em duas ocasiões nos últimos dois anos a inteligência da polícia alertou sobre a intenção do crime organizado de realizar atentados contra integrantes da Segurança Pública. Neste ano, o soldado da PM Dennyo Edno Gonçalves dos Santos, de 45 anos, foi executado fora de serviço, na porta de casa, com uma série de tiros. A investigação aponta a ligação do policial e de seu filho ao tráfico de drogas, dentro do contexto da guerra entre CV e PCC.

Em fevereiro, Irapuan Costa Júnior, que foi governador do Estado de 1975 a 1979, durante o período de ditadura militar, assumiu a SSP-GO com um discurso rigoroso parecido com o do atual governador José Eliton (PSDB), na época em que este era o titular da pasta (2016). Irapuan determinou uma polícia “mais enérgica” nas ruas e salientou que o policial que comete um erro involuntário não teria sua condenação prévia.

O novo discurso de tolerância zero é apontado como um fator relevante no aumento das mortes. “Se uma autoridade diz ‘bandido bom é bandido morto’, em menos de 24 horas os policiais vão estar cumprindo o que foi dito”, disse à reportagem uma autoridades do governo. “A coleira está solta”, definiu outra fonte da secretaria

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