Série de videodocumentários trata da problemática das mulheres ‘mulas’

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Mulheres_mulasAs mulheres que transportam drogas, muitas vezes de um país para outro, são conhecidas como “mulas do tráfico”. Apesar de muitas estarem em situação de vulnerabilidade, são presas e condenadas como traficantes e acabam em um limbo jurídico e social que desconsidera suas trajetórias pessoais, ignorando que muitas foram vítimas do tráfico de pessoas.
As peculiaridades do encarceramento feminino, e sua relação com o tráfico de drogas e o tráfico humano é um dos temas mais debatidos no Instituto Terra, Trabalho e Cidadania (ITTC), que recentemente lançou sua primeira série documental: “Mulheres ‘Mulas’: Vítimas do Tráfico e da Lei”, que apresenta vídeos com opiniões e posicionamentos de várias instituições a respeito do tema.
Representando a Pastoral Carcerária, Heidi Ann Cerneka, da coordenação nacional, que também é vice-presidente do ITTC, gravou um depoimento no qual explica como as mulheres em situação de vulnerabilidade social são vitimadas pelas redes do narcotráfico e do tráfico de pessoas.
Heidi conta o caso de uma brasileira que foi aliciada para supostamente trabalhar como cozinheira na Itália, mas que acabou presa após ser enganada pelos narcotraficantes. “Na hora de ir para o aeroporto, percebeu que estavam dando droga para ela carregar, ela ficou em um dilema cruel. ‘Eles sabem onde eu moro, eles conhecem minha família’, ela disse. ‘Eu não senti que tive opção’. Ai ela acabou recebendo a droga e foi presa aqui, antes de sair do Brasil”, analisou.
Na avaliação de Heidi, a questão do uso de mulheres pelas redes de tráfico de drogas é complexa e exige uma ampla atenção do Judiciário, do Ministério Público, dos juízes e dos defensores públicos. “Eu acho muito fácil a gente julgar, a sociedade julgar, o Judiciário julgar aquela mulher que está carregando droga quando realmente sabe que está carregando, mas o que a gente não sabe: todos temos o nosso preço, aquele ponto que eu faço o que sempre disse que jamais faria aquilo: por que alguém ameaçou a minha mãe, porque alguém sequestrou meu filho, porque meus filhos estão com fome”.
Além da Pastoral Carcerária, representantes da Cáritas de São Paulo, da Defensoria Pública de São Paulo, da Defensoria Pública da União, da Missão Paz, da CRB Nacional, da Elas por Elas – Vozes e Ações das Mulheres, e da CTP – Movimento contra o Tráfico de Pessoas, gravaram depoimentos.
 
CLIQUE E ASSISTA O DEPOIMENTO DE HEIDI CERNEKA
 
 
 

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