Rosilda Ribeiro: como Atuar na questão das Mulheres nas Prisões?

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A PCr Nacional para Questão da Mulher Encarcerada assessorou o Encontro online da Pastoral para Questão da Mulher de MG, cujo tema foi “como Atuar na questão das Mulheres nas Prisões?”. O encontro foi um momento muito rico, com 17 pessoas participando e partilhando a alegria de seguir Jesus.

Rosilda Ribeiro, coordenadora nacional para a questão da mulher presa, trabalhou a sororidade, trazendo presente o valor da aliança entre mulheres. A importância de se construir esse pacto social, ético e moral entre nós, nos tratando como irmãs e não como inimigas.

Uma relação baseada em nosso valor como um coletivo, com a intenção de gerar uma mudança real em nossa sociedade e obter a união social entre mulheres sem que haja diferença de classes, de religiões ou de grupos étnicos.

Nascer, crescer e ser educada em um contexto marcado pelo peso do patriarcado tem seu preço. Um deles é que as mulheres se vêem como rivais e concorrentes. Não é incomum ver como nas escolas, igrejas ou no nosso trabalho nos criticarmos mutuamente. Colocamos muros e tropeções para gerar um antagonismo insensato, onde longe de nos fortalecer, enfraquecemos.

O termo “sororidade” vai muito além da amizade; falamos de fraternidade, cumplicidade feminina, de um princípio ético entre nós, onde se tem uma mentalidade transformadora e um compromisso social, que não se limita apenas a levantar uma bandeira, ocasionalmente, em uma manifestação. 

A sororidade é uma revolução que vem de dentro para fora, é construída pois a mudança que nós desejamos no mundo começa dentro de nós. A CF 2020 nos chama atenção para uma mudança de olhar.

Olhar para a outra pessoa/ mulher com o mesmo Olhar de Deus que “se abaixa para olhar pelo céu e pela terra” e “ergue da poeira o fraco e tira do lixo o indigente” (Salmo 113); vê o sofrimento do seu povo, sente compaixão e cuida.

Assim somos chamadas/os, a exemplo de Maria, a ter um olhar de ternura para com todas as mulheres, as mulheres agentes da PCr e as mulheres que visitamos no cárcere, com o objetivo de fortalecer uma à outra.

Só assim acontecerá a tão sonhada transformação social, pois só através da solidariedade e de uma rede de proteção entre nós mulheres a rivalidade feminina terá fim. O que isso tem a ver com as mulheres nas prisões?

Enquanto eu estiver apegada a conceitos e pré-conceitos e fechada para acolher a outra mulher como eu gostaria de ser acolhida não avançaremos. Para de fato vivermos aquilo que falamos, precisamos praticar o nosso discurso: como eu posso dizer que as mulheres precisam se unir se eu mesma sou instrumento de divisão na minha prática?

Para atuarmos nos cárceres femininos, precisamos identificar quais são as nossas necessidades de mulheres, pois fora o espaço físico em que elas estão, nós somos iguais: mesma maneira de sentir, nossa saúde (psíquica, física, espiritual), a maternidade e o machismo que pesam sobre nós e insiste em nos invisibilizar.

Maria se faz presença na vida das Mulheres encarceradas como mãe, amiga, conselheira, protetora e inspiradora; Maria se faz presença na nossa vida enquanto agentes da PCr para nos inspirar atitudes de amor e libertação na busca de um mundo sem cárceres!

Sejamos todas/os Ubuntu!! Há muitos desafios! Muita esperança e muita fé neste povo mineiro que participou.

Sigamos unidas/os na luta pelo mundo sem cárceres!!

Rosilda Ribeiro é coordenadora nacional para a questão da mulher presa da Pastoral Carcerária

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