8M 2022 – No dia Internacional da Mulher, a luta anticárcere continua

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Disse então Maria: Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela.
(Lucas 1:38)

Após ter assumido o compromisso junto ao anjo (Lc 1, 38), Maria se torna sujeito na história da promessa e da salvação.

O texto relata a forma autônoma de Maria se pôr a caminho. Ela decide e vai visitar, nos montes de Judá, sua prima Isabel (1, 39-56). Trata-se de uma ação e decisão de uma jovem mulher que enfrenta não apenas as relações patriarcais, mas também o caminho montanhoso da Judeia, algo perigoso… e Maria, sem José, levanta e vai!

O Dia Internacional da Mulher, 8 de março, é um dia em que se comemora a existência feminina, que todos os dias precisa enfrentar padrões limitantes de uma sociedade machista e conservadora.

É um momento para reflexão de um sexo nada “frágil”, como dizem. Ser mulher não é fácil, mas não existe nada mais bonito que isso!

Ser mulher é relembrar ao mundo o papel importante de Maria, a Mãe do Filho de Deus, que trouxe em seu ventre a grande luz da salvação: Jesus Cristo.

Papel que as Marias voluntárias da Pastoral Carcerária lembram no dia a dia. Mesmo invisíveis, sua atuação é transformadora, na Sociedade e na Igreja, buscando o fim da discriminação e da desigualdade, sendo presença profética e corajosa nos cárceres, nas famílias, e em todos os espaços que ocupam, com ternura e prontidão!

O 8M é mais um momento para combater o silenciamento que existe e que normaliza a desigualdade e as violências sofridas pelas Marias encarceradas, para repensar atitudes e encontrar caminhos para a construção de um mundo mais justo e fraterno, livre do jugo pesado que o sistema prisional impõe a elas, uma sociedade sem diferenças de cor, raça, etnia, credo, sexualidade ou identidade.

As “Marias” nos cárceres muitas vezes são apontadas, julgadas e subjugadas por pessoas desta sociedade capitalista, misógina, como simplesmente “criminosas”, sem qualquer tentativa de entender suas realidades.

A punição de privação de liberdade é sempre a principal alternativa adotada pelo Judiciário, ao invés de se pensar em outras formas de resolução de conflitos e de acolhimento e cuidado para essas mulheres.

Mas as mulheres “Marias” são tão potentes que não se deixam abalar diante da privação das liberdades físicas, mentais, espirituais ou até mesmo diante da pena de dias-multa, cujo objetivo principal é perpetuar os grilhões de suas vidas sob o suor de seus trabalhos.

E mesmo assim, como uma Fênix, as “Marias no Cárcere” se refazem, renascem das cinzas, levantam e vão na certeza de um mundo sem prisões!

Simplesmente Mulheres!
Somos todas “Marias”.

8M – Dia de Luta pela Liberdade das Marias Encarceradas!

Por Cristina Coelho, Mary Jello e Rosilda Ribeiro

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