Gianfranco Graziola: Páscoa, tempo de renovação e vida nova

 Em Igreja em Saída, Notícias

“O Senhor Deus diz ao seu povo:
Quando chegar o tempo de mostrar a minha bondade,
Eu responderei ao seu pedido;
Quando chegar o dia de salvá-los eu os ajudarei.
Direi aos prisioneiros: ‘Saiam da prisão!’
E aos que vivem na escuridão direi:
‘Vocês estão livres!’”
[Is. 49, 8a-9]

O calvário, a prisão e a crucificação se repetem cada vez que uma pessoa é privada de sua liberdade e presa pelo estado que não conhece outra resposta aos conflitos, sejam de ordem social, humana ou existencial, a não ser o encarceramento em massa.

Olhando para a pessoa privada de liberdade vimos as vielas de nossas Beléns sendo invadidas por polícias cada vez mais militarizadas, violentas e sedentas de vingança, golpeando os mais vulneráveis, periféricos e descartados, assassinando, eliminando e escarnecendo e crucificando os cristos de nosso tempo.

Aquela vigília do grande sábado judaico repete-se continuamente na história de nossos dias nas algemas, nos tribunais, nas ações violentas do estado e das diversas instituições religiosas que repetem aos Pilatos com força: “CRUCIFICÁ-OS! CRUCIFICÁ-OS!”

Também àquela dúzia de homens que, com Jesus viveram momentos intensos e íntimos de vida, percorreram as estradas das Galileias de todos os tempos, ouviram as palavras do mestre “o maior é àquele que serve” concretizadas no lava-pés, o abandonaram traindo-o e fugiram decretando sua prisão e morte.

Só algumas mulheres, teimosas e inconformadas, que nem Verônica, enxugando o rosto ensanguentado, vão ao túmulo para cuidar do corpo do amado, e embora tudo ainda seja meio escuro e confuso, ficam surpreendidas; a pedra de dor que pesava sobre seu coração está removida e para uma entre elas, Madalena ecoa o chamado do mestre: “Maria”, que faz dela a testemunha da Ressurreição, da vida nova junto aos seus irmãos.

Quantas mulheres continuam ainda hoje teimosamente sua ida as masmorras, túmulos de nosso tempo, com a expectativa de encontrar as pedras removidas, expressão de uma nova justiça geradora de vida nova, plena renovando as ressurreições e perpetuando o primeiro dia da semana, o da nova criação, onde brilham a terra sem males e o mundo sem cárcere. Feliz Páscoa.

DEIXE UM COMENTÁRIO