Entidade divulga estudo sobre custo do encarceramento nos Estados Unidos

 Em Combate e Prevenção à Tortura, Notícias

A organização ArrestRecords.com publicou um estudo no qual analisou o custo do encarceramento nos Estados Unidos.

O relatório tem informações de 2001 a 2018, utilizando dados de órgãos do governo, como o Departamento de Justiça estadunidense, bem como de outras organizações, como a Prison Policy Initiative. 

O país tem uma população prisional de 1,46 milhões de pessoas, em 1833 prisões estaduais, 110 prisões federais, 1772 centros de detenção juvenis e 3134 cadeias locais, de acordo com o Departamento de Justiça em 2018. 

O estudo aponta que não há um plano nacional de administração das prisões, com diretrizes sobre orçamentos, número de funcionários e contratos de atendimento de saúde para os presos; sendo assim, o custo do sistema prisional é decidido individualmente por cada estado, fazendo com que este custo varie muito de estado para estado.

Os três estados que mais gastam com seus sistemas prisionais são: Califórnia, que gastou 9,3 bilhões de dólares nas suas 33 prisões estaduais em 2018. Esse valor é mais que o dobro do Texas, o segundo estado, que gastou 3,7 bilhões de dólares. E Nova Iorque, o terceiro estado, gastou 3,2 bilhões de dólares. 

Outros 14 estados gastam 1 bilhão de dólares por ano, dentre eles Flórida, Arizona, Washington e Geórgia, e 19 Estados gastam menos de 500 mil dólares anuais. 

O valor gasto não necessariamente corresponde à quantidade da população prisional por estado. Texas é o Estado que mais encarcera, com 163 mil pessoas, seguido pela Califórnia, com 128 mil presos, e em terceiro está a Flórida, com 97 mil pessoas encarceradas. 

Aumento do custo 

Independente do valor, a organização observou que, de 2001 a 2018, houve um grande aumento da quantidade de dinheiro que os estados gastam com os seus sistemas prisionais. 

Em média, os estados gastaram 95% mais dinheiro com prisões em 2018 do que faziam em 2001. Há estados, como West Virginia, que tiveram um aumento de 386% na quantidade de verba gasta no período, passando de 61 milhões para 301 milhões de dólares. 

o estudo afirma que o maior custo do encarceramento no país está no pagamento dos salários das pessoas que trabalham no sistema: 70% dos gastos é com o efetivo. 11% é com custos de saúde dos presos, e o resto são despesas diversas, dentre as quais o pagamento de verbas para prisões privadas em estados que têm esse tipo de unidade. 

Outros motivos para o custo elevado do encarceramento são estruturais, como o fato dos presos terem sentenças maiores (de 17 meses, o tempo médio passou para 35 meses) e mais pessoas estarem sendo encarceradas nessas últimas décadas; a probabilidade de uma pessoa ser presa por conta de um crime relacionado a drogas, exemplifica o estudo, aumentou em 350% entre 1980 e 2010, de acordo com o National Resource Council.

Por fim, o relatório cita o gasto que os familiares têm com seus parentes presos. A Prison Policy Initiative estima que as famílias gastem cerca de 2,9 bilhões de dólares com os seus parentes presos. 

Alguns dos motivos apontados para o elevado gasto são o custo da comunicação – além do custo das chamadas de longa distância, correios e custos de viagens para visitas, os presos podem comprar um tablet, para enviar emails à família. No entanto, cada email enviado tem um custo. 

Os familiares também podem comprar e enviar itens pessoais, como roupas, mas estas devem ser compradas em vendedores aprovados pelo Estado, que levam os produtos à prisão, o que eleva o custo da maioria dos bens.  

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