Incêndio em Florianópolis: “É uma unidade de mais de 90 anos. Algumas alas não deveriam sequer estar em funcionamento”

No dia 15 de fevereiro, um incêndio ocorreu no Complexo Prisional de Florianópolis (SC), deixando três mortos e mais de 40 feridos.

A Pastoral Carcerária de Santa Catarina tem acompanhado a situação, prestando assistência e solidariedade aos familiares e presos.

O incêndio em Florianópolis não é um fato isolado; pelo contrário, ele ocorre dentro da estrutura propositalmente precária e torturante do sistema carcerário – importante lembrar que um incêndio havia ocorrido no mesmo presídio cinco anos atrás.

Superlotação, racionamento de água, falta de saneamento básico, instalações elétricas velhas e que apresentam falhas, além da violência e tortura diárias são fatores presentes nas prisões em todo país.

A Pastoral Carcerária Nacional conversou com membros da PCr do Estado, que contaram como a situação está no presídio após o incêndio. “Estamos falando de uma unidade que tem mais de 90 anos. Ou seja, algumas alas não deveriam sequer estar em funcionamento mais”. Confira:

– Como é a estrutura do Complexo Penitenciário de Florianópolis?

Trata-se de um complexo que contém vários anexos. O total de pessoas presas são, 1.694 detentos, segundo dados atualizados em janeiro deste ano. A ala onde o incêndio ocorreu foi construída no final dos anos 80.

– Nas visitas e contato com familiares, havia denúncias sobre superlotação ou estrutura precária?

Temos relatos diários por parte dos familiares e apenados que deixam a unidade sobre a precariedade do local. Inclusive, a unidade estava interditada pelo juiz da execução penal desde fevereiro deste ano, devido à superlotação (a ala onde o incêndio ocorreu estava com a lotação adequada).

– Há outros tipos de denúncias de tortura, como violações, agressões, falta de água, saneamento básico, alimentação precária, falta de atendimento à saúde etc?

As violações de direitos e relatos de tortura, em todos os sentidos, são a realidade do sistema penal brasileiro.

Aqui em Santa Catarina não é diferente. Não temos conhecimento em relação a agressões físicas. Quanto à alimentação, o que pesa não é a qualidade, e sim a quantidade.

Temos reclamações de que a quantidade fornecida pela empresa responsável pela distribuição das refeições não é suficiente para saciar a fome dos apenados.

– Houveram grandes mudanças no Complexo Prisional nos cinco anos após o incêndio? Se sim, quais?

Algumas melhorias ocorreram para receber os visitantes, como sala de visitas com vestiários, banheiros e a criação de novas alas para receber mais pessoas presas.

– De que forma a precarização da estrutura do Complexo Prisional afeta o cotidiano das pessoas presas?

Estamos falando de uma unidade que tem mais de 90 anos. Ou seja, algumas alas não deveriam sequer estar em funcionamento mais.

Nos locais mais antigos e que abrigam pessoas presas, são vários os relatos que afetam o cotidiano: falta de local adequado para banho, ventilação escassa, fiação elétrica precária,  etc…