Padre Valdir, em visita a Santarém, fala da realidade do sistema carcerário local

 Em Combate e Prevenção à Tortura

O coordenador nacional da Pastoral Carcerária, padre Valdir Silveira, foi a Santarém, no oeste do Pará, para acompanhar de perto a situação da Penitenciária Agrícola Sílvio Hall de Moura, na vila de Cucurunã. Na ocasião, ele esteve reunido com familiares de detentos e ouviu relatos sobre o estado em que se encontram os presos. O encontro foi realizado na quinta-feira (12) na Cúria da Igreja de Nossa Senhora da Conceição.
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Na manhã da sexta-feira (13), em entrevista ao Bom Dia Santarém, o padre Valdir Silveira destacou a situação dos presídios de todo o país e como ela afeta a sociedade. Segundo o coordenador, o sistema prisional em si é um grande problema e a situação nas quais os detentos se encontram é preocupante, pois as condições são péssimas e o resultado disso é cada vez mais triste para a sociedade.
Silveira enfatizou ainda que ocorre o efeito inverso dentro das casas penais, uma vez que as pessoas são destruídas e têm a dignidade e os direitos perdidos nesses locais, presos em jaulas. Por ser um lugar violento, os presos têm um único o pensamento, se vai sair vivo ou morto do presídio.
Conforme o coordenador, os trabalhos realizados pela Pastoral são para ver o interno com olhar de fé e responsabilidade, cuidando da dignidade da pessoa e defendendo a vida. As primeiras ações feitas nas visitas são de ouvir as pessoas e tentar responder, orientar e ajuda-las.
Para Silveira, as autoridades responsáveis pelo acompanhamento dos presos, como o Ministério Público e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), não conseguem se aprofundar na situação prisional assim como a Pastoral, pois ela vai ao encontro dessas pessoas nos pátios, celas, enfermarias, salas de castigos, levar uma palavra esperança.
Sobre a situação do presídio de Santarém, ele destacou que a Pastoral tem conhecimento sobre uma lista com nomes de 80 detentos que estão jurados de morte e que conversas estão sendo feitas para que isso não ocorra. “Depois do presídio, nós fomos diretamente ao fórum falar com o juiz levando as reinvindicações, que dizer, apontando as coisas que eles [presos] têm direito e não estão conseguindo. Quando há uma rebelião no presídio todos sofrem”, disse.
Como respostas as demandas levantadas pela instituição, o juiz titular do Fórum garantiu que em fevereiro um novo mutirão carcerário vai ser feito em Santarém para tentar minimizar os problemas. Outra alternativa apontada por Silveira é a abertura do sistema prisional a comunidade.
Do site G1

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