A Pastoral Carcerária Nacional marcou presença no II Encontro Nacional de Mulheres na Justiça Restaurativa, realizado entre os dias 18 e 20 de março de 2026, em Salvador (BA). O evento reuniu mulheres de diversas regiões do Brasil com o objetivo de fortalecer a cultura de paz, por meio da escuta, da partilha de vivências e da construção coletiva de práticas restaurativas.
Representando a Pastoral Carcerária, Vera Dalzotto, assessora da PCr Nacional para a questão da Justiça Restaurativa, contribuiu com reflexões fundamentais sobre a aplicação da Justiça Restaurativa no contexto prisional. Integrante da Pastoral há mais de duas décadas, Vera destacou, especialmente no segundo dia do encontro, a necessidade de olhar para as mulheres privadas de liberdade como sujeitas de direitos e protagonistas de suas próprias histórias.
Durante sua participação, enfatizou que a atuação da Pastoral Carcerária na Justiça Restaurativa não se confunde com proselitismo religioso: trata-se de um trabalho comprometido com a escuta qualificada, a facilitação de processos e a promoção de práticas restaurativas éticas e responsáveis, em diálogo com o sistema de justiça.
Outras mulheres também estiveram presentes, representando a Justiça Restaurativa e a promoção da cultura de paz no ambiente prisional, contribuindo com suas experiências e trajetórias. Entre elas, a Dra. Mirella Cezar Freitas Fetter, juíza de Direito do Tribunal de Justiça do Maranhão; a Dra. Maria Angélica Carneiro, juíza da 2ª Vara de Execução Penal de Salvador; Luz Marina Ferreira Lima da Silva, servidora pública e policial penal; e Rosanete Fernandes, instrutora de Justiça Restaurativa.
A programação do encontro, estruturada nos eixos Acolher e inspirar, Refletir e construir e Compartilhar e integrar, reuniu painéis, oficinas e apresentações de boas práticas. Entre os temas abordados estiveram a liderança feminina, as questões de gênero na contemporaneidade e o lugar das mulheres na Justiça Restaurativa — debates que dialogam diretamente com a realidade enfrentada por mulheres no sistema prisional.
Nesse contexto, a presença da Pastoral Carcerária reafirma seu compromisso com a formação e a atuação em Justiça Restaurativa em todo o país. A instituição vem promovendo cursos presenciais e online, capacitando agentes de norte a sul do Brasil, com pessoas preparadas para atuar em parceria com o Judiciário na aplicação de práticas restaurativas, inclusive em contextos de privação de liberdade.
Ao trazer a perspectiva das vítimas do cárcere, a Pastoral reforça a importância de garantir espaços de fala e escuta para aquelas que vivenciaram o sistema prisional. Como destacado no encontro, falar sobre essas mulheres não é o mesmo que ouvi-las. A construção de práticas restaurativas verdadeiramente transformadoras passa, necessariamente, pelo reconhecimento de suas vozes, experiências e trajetórias.
Além disso, é fundamental considerar que a vivência do encarceramento deixa marcas profundas, que ultrapassam o tempo de permanência no sistema prisional. São impactos emocionais, sociais e físicos que atravessam a vida dessas mulheres e exigem respostas sensíveis e comprometidas com a reparação e a dignidade humana.
A participação da Pastoral Carcerária no encontro reforça, portanto, a urgência de integrar a Justiça Restaurativa às políticas públicas, especialmente no sistema prisional, reconhecendo-a como um caminho possível para a construção de relações mais justas, humanas e restauradoras.
