Pastoral Carcerária Nacional participa da abertura da Campanha da Fraternidade 2026 em Aparecida

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No último sábado, 21 de fevereiro de 2026, ocorreu no Santuário Nacional de Aparecida a abertura oficial da Campanha da Fraternidade de 2026. Com o tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), o evento foi marcado pela inauguração da escultura “Jesus Sem Teto”, obra do artista canadense Timothy Schmalz, retrata Jesus como uma pessoa em situação de rua dormindo em um banco.

Entre as autoridades e movimentos presentes, destacou-se a participação da Irmã Petra Pfaller, coordenadora nacional da Pastoral Carcerária, que inaugurou o monumento junto ao presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Jaime Spengler e do padre Jean Poul Hansen, assessor de Campanhas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Outro momento importante ocorreu durante a Missa de Aparecida, presidida por Dom Jaime Spengler. Em um gesto de reconhecimento e envio, Dom Jaime dirigiu-se à Irmã Petra Pfaller, abençoando nominalmente o trabalho realizado pela Pastoral Carcerária Nacional. O ato simbolizou a união da Igreja em torno daqueles que, mesmo sob custódia do Estado, permanecem à margem da dignidade humana.

Muros e Meio-fios: O Ciclo Invisível da Exclusão

Existe um fluxo constante e perverso entre o sistema prisional e a situação de rua no Brasil. De acordo com dados do IPEA (2023) e levantamentos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a população em situação de rua no Brasil saltou para 365.822 pessoas, um crescimento de 11% em relação ao ano anterior.

Ao mesmo tempo, o Brasil mantém a terceira maior população carcerária do mundo, com mais de 938 mil pessoas sob custódia do Estado, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e da Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN). A ligação entre o cárcere e o asfalto é direta: 

  • Pesquisas indicam que cerca de 28% da população de rua em grandes metrópoles como São Paulo já teve passagem pelo sistema prisional. Sem políticas públicas de habitação para o egresso, a calçada se torna o único destino para muitos egressos.
  • Com unidades prisionais superlotadas, o Judiciário frequentemente nega a provisória ou a progressão de regime a indivíduos justamente por “não possuírem residência fixa”, punindo e mantendo pessoas pobres num ciclo de encarceramento prolongado.
  • Assim como o “Jesus Sem Teto”, escondido debaixo de um cobertor puído, a pessoa em situação de rua e a pessoa privada de liberdade sofrem com uma morte silenciosa, perdendo sua identidade e dignidade em meio a um sistema punitivo. 

A Campanha da Fraternidade de 2026, ao focar na Fraternidade e Moradia, nos convoca a uma reflexão sobre como enxergamos nossos irmãos e irmãs marginalizados. O Evangelho de Mateus (25, 35-36), que inspirou a escultura, coloca lado a lado o “fui estrangeiro e me acolhestes” e o “estive preso e vieste me visitar”, dessa forma, somos capazes de compreender que se a moradia é o santuário da dignidade, não há restauração sem habitação. 

Assista a missa de abertura:

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