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Antropóloga apresenta tese sobre experiência de presas estrangeiras em São Paulo

 em Mulher Encarcerada

“Nem dentro nem fora: a experiência prisional de estrangeiras em São Paulo” é o nome da tese de doutorado desenvolvida pela antropóloga Bruna Louzada Bumachar, a partir da convivência, durante quatro anos, com presas de 60 países custodiadas na Penitenciária Feminina da Capital (PFC), em São Paulo (SP).

O relato da pesquisa, orientada por Adriana Gracia Piscitelli, do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), com financiamento da Fapesp, foi publicado pelo Blog do Dijaci.

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Bruna Louzada mostra diferentes aspectos da vida dessas presas, a maioria encarceradas por causa do tráfico internacional de drogas, após serem flagradas como “mulas”, pessoas que fazem o transporte de substâncias ilícitas.

O primeiro contato da antropóloga com esse universo veio por meio do trabalho voluntário que ela passou a prestar para o Instituto Terra, Trabalho e Cidadania (ITTC), que se dedica a erradicar a desigualdade de gênero, garantir direitos e combater o encarceramento.

“Essas mulheres produzem fluxos que atravessam as fronteiras prisionais e transnacionais. Através de telefonemas e do envio de cartas, e-mails, fotografias e bens, elas articulam redes de cuidado que as tornam capazes de produzir o que denominei de ‘copresenças’. Graças a esse tipo de estratégia, elas cuidam da educação dos filhos, vivenciam o casamento e participam da rotina familiar”, afirmou a autora da tese em entrevista ao blog.

Entre as descrições da tese estão as situações enfrentadas pelas estrangeiras que são mães. O distanciamento ou a proximidade física dos filhos é motivo de constante preocupação e mobilização por parte dessas mulheres. “Nos atendimentos que eu realizava como antropóloga da equipe do ITTC, as estrangeiras falavam o tempo todo de maternidade. Pediam ajuda para achar a filha que fugiu de casa ou para cuidar do translado do filho que estava no abrigo”, disse a pesquisadora.

Bruna Louzada fez acompanhamento detalhado das mulheres que dão à luz na prisão. “Acompanhei como é o período da gravidez e de que forma esta condição é mobilizada pelos mais diversos atores, incluindo as próprias estrangeiras, numa economia punitiva que envolve a regulação afetiva da maternidade. Também acompanhei o período pós-parto e a questão do cuidado dos filhos, visto que presas em todo o país têm o direito legal de permanecer junto das crianças por seis meses, que é a fase de amamentação”, explicou. “Elas se valem do poder simbólico da maternidade para seguir a vida e nutrir o vínculo com seus filhos e familiares”.

As presas estrangeiras também mobilizam uma rede, prioritariamente feminina, para poder exercer um “cuidado presencial materno”, por meio das materialidades inorgânicas que passam a fazer parte do que Bruna denominou de “corpos articulados” delas. “É nesse sentido que eu forjo a noção de copresença. Com a mediação, sobretudo, de irmãs, mães, vizinhas e de membros de organizações civis como o ITTC, essas mulheres participam efetivamente da vida dos filhos que moram a milhares de quilômetros de distância. Mesmo na cadeia, elas exercem o cuidado presencial materno, ajudando, por exemplo, os filhos no dever de casa e intervindo no comportamento deles”, revela Bruna.

Segundo a autora, ainda que recorram a esses e outros mecanismos para vivenciarem ao máximo a maternidade, as estrangeiras presas na PFC são submetidas a uma política muito perversa em relação a esse direito. Durante a amamentação, por exemplo, elas são transferidas para o hospital penitenciário. Param de trabalhar e ficam o tempo todo coladas aos bebês. Muitas vezes, dormem na mesma cama com os filhos. Vivem o que Bruna classificou de hipermaternidade. “Ocorre que, de um dia para o outro, chega o oficial de justiça e retira essa criança e a encaminha para um abrigo. Não existe um programa para que essa separação seja feita de maneira gradativa, e elas acabam vivenciando a hipomaternidade. Dá-se uma ruptura brusca, que para essas mulheres equivale à amputação de um de seus membros. É uma política perversa, a partir da qual elas criam muitas estratégias para gerir a maternidade e o aprisionamento”, sentencia a autora da tese.

 

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