No próximo ano serão 25 anos, um quarto de século, da Páscoa do Venerável Cardeal Van Thuân. Seu sorriso cativante e seu trato delicado continuam vivos na memória das pessoas que tiveram a possibilidade de encontrá-lo pessoalmente. Eu fui uma delas, no ano 2000.
Se a delicadeza e a leveza são características frequentemente associadas às pessoas asiáticas, no Cardeal Van Thuân elas se manifestavam de maneira singular em suas relações com toda e qualquer pessoa que encontrava. Essa mesma delicadeza estava presente também em sua relação com os servidores do Pontifício Conselho Justiça e Paz, que presidiu durante quatro anos, deixando entre eles uma saudade que ainda hoje permanece e ecoa em seus testemunhos e em suas falas.
Os 13 anos de cativeiro, nove dos quais vividos em condições extremamente duras e em isolamento, pareciam não ter conseguido atingir a profundidade de seu espírito. Ao contrário, Van Thuân foi capaz de transformar o cárcere em espaço de oração, perdão e entrega, demonstrando que nenhuma corrente é capaz de sufocar a esperança e que a luz do Evangelho pode vencer toda escuridão.
Foi nesse tempo de prisão que nasceram os seus Pensamentos de Esperança, um autêntico testemunho de fé que ultrapassou todas as barreiras e foi capaz de iluminar a vida de milhões de pessoas em todo o mundo. Seu testemunho continua nos recordando que o amor de Cristo é capaz de transformar a noite mais escura em aurora.
É notável como sua afabilidade, unida ao perdão, conseguia transformar seus próprios carcereiros em aliados. A força desse testemunho era tamanha que o sistema se via obrigado a substituí-los constantemente, numa tentativa de impedir que aquela relação humana e fraterna se aprofundasse.
Nos tempos em que vivemos, queremos invocar a intercessão do Venerável Cardeal Van Thuân para que, por meio da Justiça Restaurativa e contando com sua inspiração e ajuda, possamos continuar caminhando em direção ao sonho de Deus: um mundo sem cárceres.
Venerável Cardeal Van Thuân, intercedei por nós e, particularmente, por nossos irmãos e irmãs privados de liberdade. Que o seu testemunho de esperança, perdão e confiança no amor de Cristo nos ajude a acreditar que também hoje é possível transformar a noite em aurora.
Texto: Pe. Gianfranco Graziola


