VERA DALZOTTO , assessora da JR pastoral carcerária nacional
Justiça Restaurativa e Círculos de Construção de Paz no Centro Socioeducativo de Luziânia – Goiás
Existem pontes que não são feitas de concreto, mas de escuta, respeito, confiança e amor. São essas pontes que podem aproximar histórias, reconstruir vínculos e abrir caminhos para novos recomeços.
A Pastoral Carcerária da Diocese de Luziânia, em Goiás, deu início a um importante projeto de Círculos de Construção de Paz no Centro Socioeducativo do município, reafirmando seu compromisso com a dignidade humana, a cultura de paz e a Justiça Restaurativa.
O encontro, intitulado “Construindo Pontes: diálogo, cuidado e fortalecimento de vínculos familiares”, proporcionou aos adolescentes um espaço de acolhimento, reflexão e partilha.
Tudo começou com uma história sobre uma ponte que precisava de cuidados para permanecer firme e permitir a passagem. Uma metáfora profunda sobre nossas relações: assim como as pontes, os vínculos familiares precisam de presença, atenção, paciência, diálogo e cuidado para permanecerem fortalecidos.
Durante o círculo, os adolescentes foram convidados a recordar suas famílias, reconhecer sentimentos e refletir sobre a importância dos vínculos afetivos.
Entre as partilhas, surgiu uma reflexão especialmente significativa: conversar com respeito e humildade pode aproximar as pessoas.
Que ensinamento precioso!
Na perspectiva da Justiça Restaurativa, fundamentada também nos ensinamentos de Kay Pranis, acreditamos que todo ser humano possui dignidade, valor, sabedoria e capacidade de transformação.
Os Círculos de Construção de Paz nos lembram que ninguém deve ser definido exclusivamente por seus erros, pelas circunstâncias de sua vida ou pelas situações que o levaram ao sistema socioeducativo.
Antes de qualquer julgamento, existe uma história que precisa ser escutada. Existem sentimentos que precisam ser reconhecidos, necessidades que merecem atenção e potencialidades que precisam encontrar oportunidades.
A Justiça Restaurativa não significa ausência de responsabilidade. Significa compreender que responsabilizar também pode envolver escuta, reconhecimento dos danos, reparação e construção de novos caminhos.
O círculo nos ensina algo fundamental:
a horizontalidade.
Ali, cada pessoa tem o direito de falar e de ser escutada com respeito. Ninguém é mais importante que o outro. Cada voz carrega uma experiência, uma necessidade e uma possibilidade de aprendizado.
E quando essa escuta acontece em um espaço de confiança,sigilo e seguro podemos começar a construir pontes onde antes existiam distâncias.
Nossa gratidão às facilitadoras Dayane e Cristiane, com o apoio de Cassiana e Maria Patrícia, pela sensibilidade e pelo compromisso com essa caminhada.
A Pastoral Carcerária reafirma, por meio dessa iniciativa, que sua missão também é estar presente onde a sociedade tantas vezes enxerga apenas erros, mas onde nós precisamos continuar reconhecendo pessoas, histórias, direitos e possibilidades.
Que essa experiência seja o início de muitos outros círculos de construção de paz , fortalecendo vínculos familiares, cultivando valores e contribuindo para uma cultura de paz.
Porque adolescentes não são apenas aquilo que fizeram. São também aquilo que viveram, aquilo que sentem, aquilo que sonham e tudo aquilo que ainda podem construir.
Onde o julgamento silencia, a escuta pode florescer.
Onde existe acolhimento, a esperança encontra espaço.
E onde construímos pontes, abrimos possibilidades para novos caminhos.
PASTORAL CARCERÁRIA — DIOCESE DE LUZIÂNIA/GO
Por uma Justiça Restaurativa que reconheça a dignidade humana e fortaleça a cultura de paz.


