{"id":15204,"date":"2013-08-30T13:56:38","date_gmt":"2013-08-30T16:56:38","guid":{"rendered":"http:\/\/carceraria.org.br\/?p=15204"},"modified":"2026-08-02T03:04:37","modified_gmt":"2026-08-02T06:04:37","slug":"primeiras-jornadas-sobre-a-prevencao-da-tortura-no-cone-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/carceraria.org.br\/?p=15204","title":{"rendered":"Primeiras Jornadas sobre a Preven\u00e7\u00e3o da Tortura no Cone Sul"},"content":{"rendered":"<p>DECLARA\u00c7\u00c3O DE BUENOS AIRES<\/b><br \/>\n<b>Agosto, 2013<\/b><br \/>\nAutoridades governamentais e estatais, organismos internacionais, representantes da sociedade civil e institui\u00e7\u00f5es nacionais de direitos humanos da Argentina, Brasil, Chile Paraguai, Peru e Uruguai, nos reunimos no \u00e2mbito das Primeiras Jornadas sobre a Preven\u00e7\u00e3o da Tortura no Cone Sul, celebradas em Buenos Aires, nos dias 14 e 15 de agosto de 2013. O encontro teve a oportunidade de identificar os principais desafios que enfrenta a preven\u00e7\u00e3o da tortura em nossos pa\u00edses e explorar solu\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es com base nas experi\u00eancias bem sucedidas compartilhadas.<br \/>\nN\u00f3s, os e as participantes nas Jornadas,<br \/>\n<b>En<\/b><b>te<\/b><b>nd<\/b><b>e<\/b><b>m<\/b><b>os <\/b>que a garantia da erradica\u00e7\u00e3o da tortura \u00e9 responsabilidade do Estado, uma vez que \u00e9 o \u00fanico garantidor da vig\u00eancia dos direitos humanos.<br \/>\n<b>P<\/b><b>artimos <\/b>de um enfoque integral de direitos humanos em todas as a\u00e7\u00f5es relativas \u00e0 preven\u00e7\u00e3o da tortura. Reconhecemos igualmente a preven\u00e7\u00e3o como uma obriga\u00e7\u00e3o irrenunci\u00e1vel dos Estados e da comunidade internacional.<br \/>\n<b>Destacamos <\/b>a necessidade de uma mudan\u00e7a de paradigma cultural e de sensibiliza\u00e7\u00e3o social,<br \/>\n<b>En<\/b><b>f<\/b><b>atizamos <\/b>que a tortura e outros tratamentos cru\u00e9is, desumanos e degradantes constituem uma grave ofensa \u00e0 dignidade humana e s\u00e3o sempre inadmiss\u00edveis.<br \/>\n<b>Reconhecemos <\/b>que as pessoas privadas de liberdade em lugares de priva\u00e7\u00e3o da liberdade de nossos pa\u00edses continuam sofrendo tortura e outros maus tratos, devido a fatores m\u00faltiplos tais como:<br \/>\n&#8211; A impunidade administrativa e penal dos respons\u00e1veis por atos de tortura.<br \/>\n&#8211; A legitima\u00e7\u00e3o social e cultural punitivo, que aprova a tortura, o endurencimento penal e o encarceramento em massa.<br \/>\n&#8211; Falta ou insufici\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas de direitos humanos; ou de pol\u00edticas p\u00fablicas integrais (em material de seguran\u00e7a, sa\u00fade, etc.) que incluam um enfoque de direitos humanos na preven\u00e7\u00e3o da tortura e viol\u00eancia institucional.<br \/>\n&#8211; A discrimina\u00e7\u00e3o contra grupos de especial vulnerabilidade, como setores com escassos recursos, mulheres, migrantes, dependentes qu\u00edmicos, LGBTI, povos originais, pessoas com defici\u00eancia f\u00edsica e com transtornos mentais, crian\u00e7as e adolescentes, adultos, entre outros.<br \/>\n&#8211; Defici\u00eancias na tipifica\u00e7\u00e3o da tortura em n\u00edvel legislativo.<br \/>\n&#8211; Inoper\u00e2ncia do Poder Judici\u00e1rio e do Minist\u00e9rio P\u00fablico na investiga\u00e7\u00e3o, puni\u00e7\u00e3o e repara\u00e7\u00e3o nos casos de tortura.<br \/>\n<b>Uma vez identificado <\/b>que as principais causas dos atos de tortura e outros maus tratos em locais de priva\u00e7\u00e3o da liberdade s\u00e3o as seguintes:<br \/>\n&#8211; A aus\u00eancia de controles internos e externos efetivos das for\u00e7as de seguran\u00e7a ou sob responsabilidade das autoridades pol\u00edticas.<br \/>\n&#8211; Dificuldades no acesso a advogados, defensores, m\u00e9dicos independentes e autoridades em geral.<br \/>\n&#8211; Militariza\u00e7\u00e3o e estrutura hier\u00e1rquica das for\u00e7as de seguran\u00e7a que facilita a perman\u00eancia de rotinas e pr\u00e1ticas enraizadas de tortura e maus tratos.<br \/>\n&#8211; Crises dos sistemas penitenci\u00e1rios: superlota\u00e7\u00e3o, condi\u00e7\u00f5es desumanas de deten\u00e7\u00e3o, corrup\u00e7\u00e3o disseminada, viol\u00eancia intracarcer\u00e1ria e a aus\u00eancia do Estado no controle da gest\u00e3o de lugares de priva\u00e7\u00e3o e liberdade.<br \/>\n<b>Reafirmamos <\/b>a import\u00e2ncia de trabalhar sobre preven\u00e7\u00e3o e o permanente compromisso de n\u00e3o economizar esfor\u00e7os para prevenir a tortura e outros tratamentos cru\u00e9is, desumanos e degradantes.<br \/>\n<b>Reafirmamos <\/b>que \u00e9 responsabilidade do Estado a prote\u00e7\u00e3o dos direitos humanos das pessoas privadas de liberdade, sendo indeleg\u00e1vel a administra\u00e7\u00e3o de lugares de priva\u00e7\u00e3o de liberdade para o setor privado.<br \/>\n<b>En<\/b><b>f<\/b><b>atizamos <\/b>a import\u00e2ncia de realizar a\u00e7\u00f5es direcionadas a combater a impunidade, entre elas:<br \/>\n&#8211; Tipificar o delito de tortura de acordo com os padr\u00f5es internacionais.<br \/>\n&#8211; Instar o Poder Judici\u00e1rio e o Minist\u00e9rio P\u00fablico para o processamento sem dila\u00e7\u00f5es, a condena\u00e7\u00e3o e repara\u00e7\u00e3o em casos de tortura aplicando a tipifica\u00e7\u00e3o penal que a corresponde.<br \/>\n&#8211; Assegurar a independ\u00eancia das investiga\u00e7\u00f5es dos peritos do Poder Judici\u00e1rio e outras institui\u00e7\u00f5es envolvidas.<br \/>\n&#8211; Tomar medidas que assegurem a prote\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas, a fim de evitar poss\u00edveis repres\u00e1lias ap\u00f3s o encaminhamento de den\u00fancias.<br \/>\n&#8211; Relembrar a obriga\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico e do Poder Judici\u00e1rio de investigar os casos de tortura.<br \/>\n&#8211; Promover a independ\u00eancia da Defensoria P\u00fablica em rela\u00e7\u00e3o ao Minist\u00e9rio P\u00fablico.<br \/>\n<b>Conscientes <\/b>de que uma pol\u00edtica eficiente em material de preven\u00e7\u00e3o devem tamb\u00e9m considerar o aspecto:<br \/>\n&#8211; De gerar consci\u00eancia p\u00fablica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tortura fundamentada em indicadores, registros e base de dados sobre caso de tortura ou mais tratos.<br \/>\n&#8211; Impulsionar campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica.<br \/>\n&#8211; Trabalhar com meios de comunica\u00e7\u00e3o sobre a vis\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o que eles transmitem.<br \/>\n<b>Reconhecemos <\/b>que \u00e9 indispens\u00e1vel:<br \/>\n&#8211; Implementar, de maneira efetiva, salvaguardas para a prote\u00e7\u00e3o dos direitos fundamentais das pessoas detidas e seus familiares em todas as etapas da pris\u00e3o.<br \/>\n<b>Recomendamos <\/b>tomar todas as medidas necess\u00e1rias para o fim de:<br \/>\n&#8211; Impulsionar a democratiza\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os de priva\u00e7\u00e3o de liberdade. Criando uma autoridade civil, colegiada e interdisciplinar, com participa\u00e7\u00e3o da sociedade civil no processo de designa\u00e7\u00e3o.<br \/>\n&#8211; Profissionalizar em car\u00e1ter multidisciplinar todos os servidores que trabalhem com pessoas privadas de liberdade, incluindo a reformula\u00e7\u00e3o da sele\u00e7\u00e3o de novos servidores por meio de par\u00e2metros claros e processos vis\u00edveis, evitando-se a militariza\u00e7\u00e3o.<br \/>\n&#8211; Criar una carreira profissional de car\u00e1cter civil com perspectiva integral em direitos humanos, destinada ao corpo de servidores das for\u00e7as de seguran\u00e7a.<br \/>\n<b>P<\/b><b>r<\/b><b>o<\/b><b>m<\/b><b>ovemos <\/b>a implementa\u00e7\u00e3o de:<br \/>\n&#8211; Sistema de monitoramento peri\u00f3dico, formado por grupos interdisciplinares e independentes a todos os centros onde se encontrem pessoas privadas de liberdade, articulados com as autoridades respons\u00e1veis, v\u00edtimas, familiares e organismos de controle.<br \/>\n<b>Postulamos <\/b>a pronta implementa\u00e7\u00e3o dos Mecanismos Preventivos Nacionais, conforme estabelece o Protocolo Facultativo da Conven\u00e7\u00e3o da ONU contra a Tortura e Outros Tratamentos Cru\u00e9is, Desumanos ou Degradantes e as recomenda\u00e7\u00f5es do Subcomit\u00ea para a Preven\u00e7\u00e3o da Tortura, em particular garantindo a independ\u00eancia funcional, financeira e de pessoal.<br \/>\n<b>Destacamos <\/b>a import\u00e2ncia das presentes Jornadas para refor\u00e7ar a colabora\u00e7\u00e3o entre os organismos e institui\u00e7\u00f5es dedicadas ao trabalho em centros de deten\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o de reunir esfor\u00e7os em material de preven\u00e7\u00e3o da tortura e outros maus tratos. Para esse fim, nos comprometemos a compartilhar essas conclus\u00f5es e realizar o acompanhamento das estrat\u00e9gias aqui propostas em um future Encontro Regional.<br \/>\nBuenos Aires, 16 de agosto de 2013.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leia a \u00edntegra da Declara\u00e7\u00e3o de Buenos Aires<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15205,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_angie_page":false,"page_builder":"","footnotes":""},"categories":[2028],"tags":[2070,454],"class_list":["post-15204","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-gerais","tag-arquivo-2013","tag-declaracao-de-buenos-aires"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/carceraria.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/15204","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/carceraria.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/carceraria.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/carceraria.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/carceraria.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=15204"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/carceraria.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/15204\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":31551,"href":"https:\/\/carceraria.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/15204\/revisions\/31551"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/carceraria.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/15205"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/carceraria.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=15204"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/carceraria.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=15204"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/carceraria.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=15204"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}