{"id":13838,"date":"2013-02-15T13:26:31","date_gmt":"2013-02-15T15:26:31","guid":{"rendered":"http:\/\/carceraria.org.br\/?p=13838"},"modified":"2026-07-01T12:59:33","modified_gmt":"2026-07-01T15:59:33","slug":"mentiras-do-carcere","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/carceraria.org.br\/?p=13838","title":{"rendered":"Mentiras do c\u00e1rcere"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/carceraria.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/rubensnobrega-1-1.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-13839 alignright\" title=\"rubensnobrega\" src=\"https:\/\/carceraria.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/rubensnobrega-1-1.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"187\" \/><\/a>Vejo pela primeira vez, como vi ontem em escrito irretoc\u00e1vel, um militante da causa dos direitos humanos (Padre Bosco Nascimento, da Pastoral Carcer\u00e1ria) desmontar convincentemente a mentira segundo a qual uma pessoa presa custa em torno de R$ 1.200 ao cidad\u00e3o de bem que sustenta com seus impostos um sistema prisional reconhecido e referenciado como um dos piores do mundo.<br \/>\nR$ 1.200 \u00e9 o pre\u00e7o por cabe\u00e7a, n\u00e3o por pessoa, eis o primeiro esclarecimento a ser feito. Significa que o governo soma todos os gastos penitenci\u00e1rios (manuten\u00e7\u00e3o, reformas, amplia\u00e7\u00f5es, seguran\u00e7a e at\u00e9 constru\u00e7\u00e3o de novas unidades) e divide pelo n\u00famero de encarcerados. N\u00e3o inclui, portanto, apenas alimenta\u00e7\u00e3o, como alguns obtusos, mal informados ou de m\u00e1 f\u00e9 costumam afirmar ou induzir, principalmente quando disp\u00f5em de telas, c\u00e2meras e microfones para dizer bobagens, cometer maldades, achaques ou insultar a intelig\u00eancia de quem n\u00e3o lhes compra a pe\u00e7onha ou a palavra.<br \/>\nMesmo assim, muitos deles continuam convencendo os incautos, que aderem \u00e0 tese segundo a qual \u201cbandido bom \u00e9 bandido morto\u201d (mas s\u00f3 se o bandido for pobre, claro) ou ao absurdo de que cumprir pena de reclus\u00e3o na Para\u00edba seria como viver em um hotel cinco estrelas. Diante de besteiras assim, lembro no ato do poeta Lulu Santos: n\u00e3o desejamos mal a quase ningu\u00e9m, mas adoraria ver um bacana desses hospedado em um desses \u2018luxuosos\u2019 estabelecimentos. A\u00ed o sujeito ia ver o que \u00e9 bom pra tosse!<\/p>\n<p><strong>Diga a\u00ed, Padre Bosco<\/strong><br \/>\n\u201cNunca encontrei nesses 20 anos de visita a pessoas presas algu\u00e9m vivendo como se estivesse em um hotel. Nunca encontrei algu\u00e9m de classe m\u00e9dia cumprindo pena. Tenho encontrado pessoas suspeitas, provis\u00f3rias, aguardando a boa vontade do Estado; tenho encontrado lixo, doentes, falta de espa\u00e7o, tiros, muitas balas espalhadas pelos corredores, reclama\u00e7\u00f5es da comida, aus\u00eancia da Defensoria Publica etc.\u201d, revela Padre Bosco em seu artigo, que tem como t\u00edtulo \u2018Quanto custa uma pessoa presa?\u2019.<br \/>\nAl\u00e9m das condi\u00e7\u00f5es subumanas e atrocidades caracter\u00edsticas da situa\u00e7\u00e3o em nossos pres\u00eddios, atualmente cen\u00e1rios de rebeli\u00f5es quase semanais, Padre Bosco garante que o Estado pode at\u00e9 receber R$ 1.200 por cada preso, mas o que gasta de fato com o apenado em si \u00e9 uma mis\u00e9ria, porque sequer papel higi\u00eanico (epa, olha ele a\u00ed de novo!) compraria para os seus \u2018h\u00f3spedes\u2019.<br \/>\n\u201cA pessoa presa n\u00e3o tem culpa alguma em rela\u00e7\u00e3o a essa despesa e o que lhe chega \u00e9 o m\u00ednimo poss\u00edvel. O Estado n\u00e3o fornece roupa, n\u00e3o fornece material higi\u00eanico&#8230; Quando algu\u00e9m tem uma alimenta\u00e7\u00e3o especial por causa da doen\u00e7a, a fam\u00edlia quando pr\u00f3xima leva todos os dias a alimenta\u00e7\u00e3o. Presenciei nesta semana esta realidade da alimenta\u00e7\u00e3o por determina\u00e7\u00e3o judicial\u201d, denuncia Padre Bosco.<br \/>\nE arremata: \u201cA sociedade precisa ser esclarecida e n\u00e3o repetir o que \u00e9 informado de modo incompleto pelo Estado e pela imprensa. Uma pessoa presa jamais vai receber o dinheiro gasto em nome dela. Quem imagina que a pris\u00e3o \u00e9 um hotel cinco estrelas, pe\u00e7a uma autoriza\u00e7\u00e3o ao juiz para passar um final de semana por l\u00e1 na mesma condi\u00e7\u00e3o de quem est\u00e1 recolhido nas celas\u201d.<br \/>\n<strong>Diga a\u00ed, Ministro<\/strong><br \/>\nPadre Bosco diz ainda uma coisa muito preocupante sobre o que se passa no interior dos c\u00e1rceres do Estado. \u201cN\u00e3o existe uma pris\u00e3o na Para\u00edba que atenda ao que recomenda a Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal\u201d, afirma. \u00c9 muit\u00edssimo grave, porque significa um conluio de omiss\u00f5es e prevarica\u00e7\u00f5es entre a Justi\u00e7a que manda prender e o governo que prende e se responsabiliza por fazer valer a pris\u00e3o.<br \/>\nPior \u00e9 o tanto de gente presa em car\u00e1ter provis\u00f3rio pagando senten\u00e7a como se fosse definitiva, como chama a aten\u00e7\u00e3o o ministro Gilmar Mendes, do STF, em artigo que li ontem no Consultor Jur\u00eddico (<a href=\"http:\/\/conjur.com.br\/\" target=\"_blank\">conjur.com.br<\/a>). \u201cDo total de presos no pa\u00eds (549 mil, at\u00e9 junho de 2012), 191 mil aguardam julgamento, muitas deles amontoados em unidades prisionais superlotadas e sem as m\u00ednimas condi\u00e7\u00f5es de higiene, como se constatou nos mutir\u00f5es carcer\u00e1rios realizados pelo Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ), sem contar que mais de 40 mil presos encontram-se irregularmente detidos em delegacias de pol\u00edcia, muitos inclusive j\u00e1 sentenciados\u201d, escreveu Sua Excel\u00eancia para o Observat\u00f3rio Constitucional, sob o t\u00edtulo \u2018\u00c9 preciso repensar o modelo cautelar no processo penal\u2019.<br \/>\nPra fechar, outro trecho interessante do Doutor Gilmar: \u201cOs mutir\u00f5es carcer\u00e1rios coordenados pelo CNJ demonstraram que a fal\u00eancia do sistema prisional n\u00e3o pode ser dissociada das s\u00e9rias defici\u00eancias do sistema de justi\u00e7a criminal. A par dos in\u00fameros casos de pris\u00f5es provis\u00f3rias com prazo alongado, sem conclus\u00e3o da instru\u00e7\u00e3o e sem senten\u00e7a de primeiro grau, dois exemplos parecem ilustrar o quadro de abuso eloquente: no Esp\u00edrito Santo encontrou-se acusado preso provisoriamente h\u00e1 11 anos; no Cear\u00e1, verificou-se um quadro ainda mais grave, uma pessoa presa h\u00e1 mais de 14 anos em car\u00e1ter provis\u00f3rio\u201d.<br \/>\n<strong>Ricardo ineleg\u00edvel?<\/strong><br \/>\nA julgar pela excita\u00e7\u00e3o no Planeta Girassol, o Ricardo a\u00ed n\u00e3o \u00e9 o Coutinho, mas o Marcelo, aquele que preside a Assembleia e estaria cavando a cova pol\u00edtica do xar\u00e1 luxuosamente hospedado (de verdade) na Granja Santana.<br \/>\nA alegria girassolaica tem a ver com a not\u00edcia divulgada ontem segundo a qual Ricardo Marcelo teve as contas da campanha de 2006 reprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral e, portanto, caiu na malha fina da Lei da Ficha Limpa.<br \/>\nSe for verdade, o Bloco da Granja vai esticar o Carnaval at\u00e9 a Sexta-Feira da Paix\u00e3o.<br \/>\nPor Rubens N\u00f3brega<br \/>\nA coluna \u00e9 basicamente uma cr\u00f4nica pol\u00edtica, que se diferencia da an\u00e1lise pol\u00edtica cl\u00e1ssica por n\u00e3o se prender ao factual nem \u00e0 ordem ou pauta do dia. Contato com o colunista:\u00a0<a href=\"mailto:rubensnobrega@uol.com.br\" target=\"_blank\">rubensnobrega@uol.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Rubens N\u00f3brega<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":13839,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_angie_page":false,"page_builder":"","footnotes":""},"categories":[2037,2038],"tags":[2070,319,1577],"class_list":["post-13838","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-arquivo","category-artigos-arquivos","tag-arquivo-2013","tag-coluna","tag-rubens-nobrega"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/carceraria.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13838","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/carceraria.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/carceraria.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/carceraria.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/carceraria.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=13838"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/carceraria.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13838\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":31742,"href":"https:\/\/carceraria.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13838\/revisions\/31742"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/carceraria.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/13839"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/carceraria.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=13838"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/carceraria.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=13838"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/carceraria.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=13838"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}