{"id":13824,"date":"2013-02-19T09:49:54","date_gmt":"2013-02-19T12:49:54","guid":{"rendered":"http:\/\/carceraria.org.br\/?p=13824"},"modified":"2026-08-02T03:04:42","modified_gmt":"2026-08-02T06:04:42","slug":"campanha-de-arrecadacao-estou-presa-continuo-mulher-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/carceraria.org.br\/campanha-de-arrecadacao-estou-presa-continuo-mulher-2\/","title":{"rendered":"Campanha de Arrecada\u00e7\u00e3o: \u201cEstou presa, continuo mulher\u201d"},"content":{"rendered":"<p><em>Campanha de arrecada\u00e7\u00e3o:\u00a0Roupas \u00edntimas e absorventes para mulheres em situa\u00e7\u00e3o de pris\u00e3o<\/em><br \/>\nNo dia 8 de mar\u00e7o \u2013 Dia Internacional de Luta das Mulheres -, em todo o mundo, as mulheres sair\u00e3o \u00e0s ruas para soltar suas vozes em tom de den\u00fancia e protesto contra a din\u00e2mica social que aprisiona mulheres dentro de pap\u00e9is sociais pr\u00e9-definidos e as submete ao poder patriarcal.<br \/>\nQuase inaud\u00edveis, por\u00e9m, estar\u00e3o as vozes das mulheres encarceradas. Embora a mesma l\u00f3gica que sustenta a opress\u00e3o das mulheres livres seja aquela que coloca e mant\u00e9m milhares de mulheres dentro dos muros dos c\u00e1rceres, a verdade \u00e9 que pouco se fala do tratamento recebido pela parcela da popula\u00e7\u00e3o feminina que vive sob a vig\u00edlia constante do Estado penal.<br \/>\nNo Brasil, a popula\u00e7\u00e3o prisional feminina corresponde a 7% da popula\u00e7\u00e3o penitenci\u00e1ria (36 mi), mas a taxa de encarceramento feminino supera muito a masculina. A principal causa do aprisionamento em massa das mulheres \u00e9 a lei de drogas.<br \/>\nPobres, negras e principais ou \u00fanicas respons\u00e1veis pelo sustento da fam\u00edlia, o com\u00e9rcio il\u00edcito dos entorpecentes constitui fonte de renda para o provimento do sustento dessas mulheres e de seus dependentes. Na complexa cadeia do tr\u00e1fico, n\u00e3o ocupam postos de ger\u00eancia, s\u00e3o alocadas nos postos de trabalho mais prec\u00e1rios e mais suscet\u00edveis \u00e0 atividade policial: o empacotamento e o leva e traz das mercadorias.<br \/>\nNos c\u00e1rceres, por sua vez, ora o tratamento dado \u00e0s reclusas refor\u00e7a o estere\u00f3tipo de g\u00eanero: concursos de beleza, \u201cdias de princesa\u201d, \u201creadequa\u00e7\u00e3o\u201d da arquitetura prisional com a retirada de espa\u00e7os de lazer; ora, as necessidades pr\u00f3prias de seu sexo s\u00e3o ignoradas pelo Estado que as custodia, sendo tratadas como homens e, por essa raz\u00e3o, humilhadas.<br \/>\nNas pris\u00f5es e delegacias do Estado de S\u00e3o Paulo, as mulheres presas t\u00eam vivenciado a invisibilidade de suas necessidades a partir da neglig\u00eancia do Estado.<br \/>\nA situa\u00e7\u00e3o torna-se ainda mais humilhante para essas mulheres quando a priva\u00e7\u00e3o em quest\u00e3o diz respeito \u00e0s suas roupas \u00edntimas. Muitas das mulheres encontram-se somente com a roupa do corpo e at\u00e9, \u00e0s vezes, est\u00e3o sem calcinhas.<br \/>\nEm verdade, o Estado nunca forneceu roupas \u00edntimas para mulheres em situa\u00e7\u00e3o de pris\u00e3o, muito embora seja seu dever. N\u00e3o fornece sequer, aos homens e mulheres presas, materiais de higiene (sabonete, pasta de dente, escova, absorvente etc), como mostrou a Audi\u00eancia P\u00fablica promovida pelo N\u00facleo Especializado de Situa\u00e7\u00e3o Carcer\u00e1ria da Defensoria P\u00fablica de S\u00e3o Paulo, realizada em novembro de 2012, e como tamb\u00e9m constatado pelo mutir\u00e3o carcer\u00e1ria do Conselho Nacional de Justi\u00e7a.<br \/>\nS\u00e3o as fam\u00edlias as mantenedoras do bem estar de seus entes queridos nas pris\u00f5es. Mas no caso das mulheres, a maioria n\u00e3o recebe visita e, assim, aquelas que n\u00e3o conseguem trabalho dentro do sistema penitenci\u00e1rio, n\u00e3o t\u00eam como garantir mais do que a roupa do corpo.<br \/>\nA atitude do Estado evidencia que o controle do corpo feminino encarcerado extrapola a restri\u00e7\u00e3o \u00e0 liberdade de ir e vir e atinge a intimidade. A invas\u00e3o da intimidade naturaliza-se dentro dos c\u00e1rceres e em raz\u00e3o de seus efeitos \u2013 o constrangimento e a humilha\u00e7\u00e3o vivida pelas mulheres \u2013 aprofundarem a submiss\u00e3o, essa viola\u00e7\u00e3o torna-se elemento fundamental para a manuten\u00e7\u00e3o da ordem penitenci\u00e1ria e constitui a\u00e7\u00e3o corretiva do comportamento das mulheres presas conforme os padr\u00f5es (patriarcais) de feminilidade.<br \/>\nDiante dessa situa\u00e7\u00e3o, o Grupo de Estudos e Trabalho Mulheres Encarceradas est\u00e1 se mobilizando para arrecadar roupas \u00edntimas \u2013 calcinhas de todos os tamanhos \u2013 que ser\u00e3o entregues diretamente \u00e0s mulheres reclusas, no Dia 8 de Mar\u00e7o.<br \/>\n<strong>COMO DOAR<\/strong>: As doa\u00e7\u00f5es devem ser feitas at\u00e9 o dia 5 de mar\u00e7o.<br \/>\n<strong>Postos de Doa\u00e7\u00e3o<\/strong>:\u00a0(S\u00e3o Paulo \u2013 SP; 2\u00aa a 6\u00aa feira, 9h-18h)<br \/>\n&#8211;\u00a0<strong>Associa\u00e7\u00e3o Ju\u00edzes para a Democracia (AJD)<\/strong><br \/>\nRua Maria Paula, 36, 11\u00ba andar, Centro (fone: 3242-80-18)<br \/>\n&#8211;\u00a0<strong>Pastoral Carcer\u00e1ria de S\u00e3o Paulo<\/strong><br \/>\nRua da Consola\u00e7\u00e3o, 21, 8\u00ba andar (fone: 3151-4272)<br \/>\n<strong>Doa\u00e7\u00e3o de Recursos:\u00a0<\/strong>Ser\u00e1 feita arrecada\u00e7\u00e3o em dinheiro por meio do ITTC, institui\u00e7\u00e3o integrante do GET Mulheres Encarceradas:<br \/>\n&#8211;\u00a0<strong>Instituto Terra Trabalho e Cidadania<\/strong>\u00a0(ITTC)<br \/>\nBanco: Santander<br \/>\nAg\u00eancia 3373, C\/c 13000133-9<br \/>\n* Disponibilizaremos a presta\u00e7\u00e3o de contas da campanha nos sites das 3 entidades.<br \/>\nSaiba mais: conhe\u00e7a os dados sobre o fornecimento de produtos b\u00e1sicos de assist\u00eancia material nos estabelecimentos prisionais do Estado: clique\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/assistenciaprisoes\">AQUI<\/a>.<\/p>\n<h3>\u00a0Compartilhe esta luta!<\/h3>\n<h3>Iniciativa:\u00a0Grupo de Estudos e Trabalho Mulheres Encarceradas<\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Compartilhe esta luta!<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_angie_page":false,"page_builder":"","footnotes":""},"categories":[2028],"tags":[2070],"class_list":["post-13824","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-gerais","tag-arquivo-2013"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/carceraria.org.br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13824","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/carceraria.org.br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/carceraria.org.br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/carceraria.org.br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/carceraria.org.br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13824"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/carceraria.org.br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13824\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":34125,"href":"https:\/\/carceraria.org.br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13824\/revisions\/34125"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/carceraria.org.br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13824"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/carceraria.org.br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13824"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/carceraria.org.br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13824"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}