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Notícias › 02/02/2015

Um dia de revista vexatória

Dia de Revista VexatoriaUma reportagem do site Justificando detalhou as humilhações a que são submetidos os visitantes de pessoas presas no Estado de São Paulo, com destaque para os procedimentos de revista vexatória.

Embora o governo paulista tenha sancionado, em agosto de 2014, a lei que proíbe a revista vexatória nas prisões, na época da publicação da reportagem, em novembro, a situação se mantinha. O prazo de 180 dias para que o governo regulamente a norma através de um decreto termina na primeira quinzena de fevereiro.

Uma das entrevistadas pelo site Justificando contou que a notícia da aprovação da lei causou alegria inicialmente, pois na primeira semana as revistas não foram feitas no CDP de Pinheiros, mas na seguinte a rotina voltou. “‘Eles disseram que entraram com drogas e foi preciso retornar a lei’. A balconista conta que isso foi só um boato para voltar com os procedimentos de agachamentos”.

Passo a passo do desrespeito

Boa parte das pessoas que visitam parentes presos chega bem cedo à porta das unidades prisionais, antes mesmo do nascer do sol. Elas trazem sacolas com comidas e itens de higiene e se vestem de modo semelhante: calça de moleton, camisetas e chinelos.

“As roupas não eram uma mania dos familiares. São ordens dos presídios. Um início de um procedimento chocante, macabro para uma civilização que se julga democrática. As mães e pais, irmãs e irmãos, adultos e crianças chegam até ao local da visita, entram e fazem uso da sacolinha. Recolhem a roupa e se padronizam. Perdem sua identidade para servir à segurança carcerária. Não adianta reclamar: só vê o familiar encarcerado quem entra com as roupas indicadas”, conta a reportagem.

A etapa seguinte é a checagem da comida. Tudo que é levado pelos familiares passa por fiscalização. “O ritual de fiscalização da visita do preso não se encerra com a roupa e a comida determinadas. Pelo contrário, chega à sua etapa mais grotesca. De duas em duas pessoas, o agente chama para a burocrática ‘revista’, também conhecida como ‘humilhação’ para quem passa pelo procedimento. O familiar do preso deve ficar nu em frente a um agente da unidade, agachar-se de cócoras, tossir e se tocar enquanto um espelho é passado por baixo de seu corpo, exibindo tudo que há para ser exibido. Tudo para comprovar que não está portando nada ilegal para dentro da unidade”, consta no texto.

“As mulheres que estiverem usando absorventes, têm de retirá-los e jogá-los em um cesto de lixo que fica no local. A insensibilidade é a única democracia aplicada: não sobra ninguém. Independente do pudor, todos passam pela mesma experiência. De templo, passa o corpo a objeto”, detalha a reportagem.

“Sou evangélica e tenho muita dificuldade em fazer a revista íntima. Volto pra casa chorando todos os domingos pela humilhação que passo”, afirmou uma das entrevistadas.

Nem todos os familiares suportam a humilhação e deixam de visitar quem está preso. “Encontramos Messias, que vive uma triste realidade. Teve seu filho preso há dois anos por tráfico. Detento há nove meses no CDP, nos últimos oito, o único laço que teve com sua família foi a visita semanal do pai. A mãe foi apenas uma vez. Depois de passar pela humilhação da revista vexatória, nunca mais desejou voltar. ‘Tenho contato com corpo humano o tempo inteiro no meu trabalho, sou mais acostumado que minha esposa, mas mesmo assim ainda me sinto muito humilhado. Só venho porque não quero abandonar meu filho dentro desse inferno’ – disse com os olhos marejados”.

LEIA A REPORTAGEM COMPLETA DO SITE JUSTIFICANDO


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