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Notícias › 07/12/2016

Sofrer distante dos filhos é a realidade de 78% das presas em Goiás

Mulheres PresasUm mapeamento do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), divulgado em fins de novembro, aponta que nas 93 unidades do sistema prisional goiano há 674 mulheres, das quais 529 são mães. O número representa 78% da população carcerária feminina.

Ainda conforme o diagnóstico, são 1.327 crianças cujas mães estão cumprindo pena no regime fechado. A idade média dos filhos é de 9 anos e a pena média das mães é 12 anos, o que revela a grande quantidade de tempo em que os laços entre mães e filhos foi cortando, o que certamente gera consequências para o desenvolvimento da criança.

Segundo um estudo do TJ de Goiás, na ausência da mãe, a cuidadora primária dessas crianças é na maioria das vezes, em 57% dos casos, as avós, seguidas dos pais (16,9%) e dos tios (7%).

Entre as cidades, Goiânia é onde mais residem os filhos de mães presas, com 30,7%; seguida de Águas Lindas de Goiás, com 14,2%; Luziânia, 9,2%, Anápolis, 7,5%; e Aparecida de Goiânia, com 6,7%.

O tráfico de drogas é o crime de maior frequência entre os motivos que levaram as mulheres mães às prisões, com 43%. Em seguida, há roubo com 18,3%, e homicídio, com 14%. Quase metade do público pesquisado – 46% – nunca recebeu visita dos filhos ou familiares.

Sofrimento das prisões é multiplicado para as mulheres presas

Se para qualquer pessoa sobreviver as masmorras das prisões brasileiras é desafiador, a situação é ainda pior para as mulheres, pois os presídios são construídos para homens e o Estado não dá a devida atenção às especificidades femininas.

Quando esta mulher é mãe ou está grávida o martírio se multiplica. Conforme demonstrou o premiado documentário da Pastoral Carcerária “As Mulheres e o Cárcere”, ao ser encarcerada a mulher perder a autonomia em relação aos filhos, além de muitas vezes ser submetida a agressões psicológicas quando bebês recém-nascidos são retirados de seus braços abruptamente.

“A condição dessas mulheres é de tortura diária. Elas não podem ter contato, não tem notícias, não acompanham os filhos doentes nos médicos. É um sofrimento psicológico muito grande”, comenta em um dos trechos do documentário a Irmã Petra Silvia Pfaller, coordenadora nacional da Pastoral Carcerária para a Questão da Mulher Presa.

“O poder judiciário não aplica a prisão domiciliar para as mulheres mães, por mais que a defensoria pública faça o pedido. O Brasil é signatário das Regras de Bangkok, normas específicas para o tratamento da mulher presa, e queremos que a justiça coloque a lei em prática”, enfatiza Irmã Petra.

(Com informações do Tribunal de Justiça de Goiás)


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