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Notícias › 18/12/2017

Padre Valdir: “Quem concorda com o sistema carcerário não conhece a realidade de uma prisão”

Por Rennan Leta
Da UCAM

“O momento é de resistência e o contexto gera um certo pessimismo, porém nós temos de ter perseverança sempre para levar adiante o legado deixado pelo Alceu. Não devemos desistir da luta, mesmo em um momento complicado.”. Foi com essas palavras que a Diretora do Centro Alceu Amoroso Lima, Maria Helena Arrochellas, iniciou a noite de premiações do Prêmio Alceu Amoroso Lima.

O evento, realizado no dia 12 de dezembro no Salão Marquês de Paraná da Universidade Candido Mendes, contou com a presença de nomes como o Reitor da UCAM e presidente do CAAL, Candido Mendes; a Diretora do CAAL, Maria Helena Arrochellas; o Dr. Alceu Amoroso Lima Filho; o Coordenador Nacional da Pastoral Carcerária da CNBB, Padre Valdir João Silveira; o Presidente da Academia Brasileira de Letras, Marco Lucchesi; a Irmã Rosita Milesi; o Padre José Oscar Beozzo; a Dra. Matilde Cecchin; o Dr. Leon Garcia; o Padre Mário Geremia e o Dr. Luiz Alberto de Souza.

Iniciada a cerimônia, o Professor Marco Lucchesi pronunciou-se para entregar o prêmio ao Padre Valdir João Silveira. “Temos aqui o Candido como ícone da redemocratização no país, onde vemos que no momento falta a determinação ao diálogo. Eu pude estar com o Pe. Valdir em algumas penitenciárias e cheguei à conclusão que as prisões são as senzalas do Século XX e XXI, onde matam inúmeros talentos e sonhos que estão ali presentes. Muitos presos que, por conta da demora do nosso sistema Judiciário, nem deveriam estar ali. Ou que já cumpriram a sua pena ou que são inocentes mas ainda não foram julgados. Isso é barbárie de se ver. O trabalho do Pe. Valdir é extremamente importante, pois eu vi o quanto tem gente ali que precisa de atitudes assim”, disse o Presidente da ABL.

Em seguida o Padre Valdir João Silveira, que pertence ao clero da Arquidiocese de São Paulo, recebeu o Prêmio Alceu Amoroso Lima e fez um discurso de agradecimento.

“Nós vivemos um ano que iniciou com os massacres em diversos presídios, então foi um trabalho difícil. Principalmente porque enfrentamos rejeição da sociedade, do setor de comunicação e até da comunidade religiosa. Nos tratam não só como defensores, mas às vezes também como marginais. Realizo esse trabalho com prazer, pois tenho certeza que presídios não resolvem o problema. Pelo contrário: quem está lá acaba reproduzindo mais violência quando sai, pois vivem em uma espécie de masmorra, em péssimas condições e são torturados. Quem concorda com o sistema carcerário é porque não conhece a realidade de uma prisão. A população e a Justiça têm um grande problema estrutural: eles culpam quem matou, quem morreu, mas ignoram quem construiu essa situação de barbárie, de calamidade”, frisou o representante da Comissão Mundial de Pastoral Penitenciária Católica na América Latina.

Após o recebimento do prêmio, foram dadas Menções Honrosas ao Padre Paolo Parise e à Irmã Rosita Milesi – pertencentes aos missionários Scalabrinianos, que atuam em favor dos imigrantes e refugiados desde os anos 30 do século passado -, além da homenagem post mortem ao Irmão Antônio Cecchin, militante dos movimentos sociais e fundador da Comissão Pastoral da Terra do Rio Grande do Sul (CPT-RS), Pastoral da Ecologia e da ONG Caminho das Águas, e ao Professor Marco Aurélio Garcia.

A Irmã Rosita Milesi falou sobre a importância do bom tratamento aos imigrantes por todo o mundo, cujo assunto ela trabalha em conjunto com o Padre Paolo Parise e que também foi abordado pelo Dr. Leon Garcia, filho do Professor Marco Aurélio Garcia, que vivenciou isso de perto quando o pai foi um exilado político na época da Ditadura Militar no Brasil e no Uruguai.


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