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Notícias › 20/03/2013

Pastoral Carcerária auxilia na saúde de presas gestantes em Cuiabá

A Pastoral Carcerária da Arquidiocese de Cuiabá, através da mestranda em Enfermagem, Laura Padilha, agente da pastoral, passou a oferecer este mês às gestantes da Penitenciária Ana Maria do Couto o serviço de doula (no qual uma mulher auxilia e proporciona suporte físico e emocional a uma gestante antes, durante a após o parto).

Os atendimentos realizados por Laura são feitos individualmente e a enfermeira sempre alerta às grávidas para que cuidem da alimentação, mantenham-se calmas, abandonem vícios e, principalmente, fortifiquem a afetividade com a criança.

“Seu bebê sente tudo o que você sente. Atravessar as dificuldades juntos é um meio de fortalecer a relação familiar e o parto é a primeira situação marcante entre vocês. Converse com seu bebê ainda na barriga, cante para ele, procure tranquilizá-lo, mostre que você está presente e o ama”, explicou a enfermeira a uma das presas atendidas no sábado, dia 16.

Durante as consultas, as mulheres são incentivadas a falar de suas dúvidas e anseios. Entre as que passaram pelo atendimento no último sábado estavam Marta e Sofia (nomes fictícios). Marta trazia a triste realidade da gestação atrás das grades. Grávida de sete meses da primeira filha, ela tem pouco apoio familiar: a avó da criança que antes a acompanhava (também está presa na unidade), foi transferida de ala. Em meio a um olhar triste, a gestante sorriu ao receber o enxoval que a Pastoral Carcerária lhe deu.

Sofia, de 19 anos, já é mãe de uma menina de 2 anos, mas mesmo assim tinha dúvidas sobre gravidez e parto. Ao comentar sobre a atual gestação, recordou-se das frustrações e sofrimentos do primeiro parto, quando foi mal atendida em um hospital público.

Ao final dos primeiros atendimentos, a enfermeira voluntária comentou sobre a experiência. “Esse contato com as mulheres gestantes encarceradas é riquíssimo, pois produz frutos para elas, para a sua relação atual e futura com o bebê e para o meu trabalho profissional. Nossos encontros são de escuta da vivência dessas mulheres, que por muitas vezes não têm com quem conversar sobre esse momento de ‘ser mãe’. Levo informações sobre a gestação e preparação para o trabalho de parto e pós-parto. Sobretudo, é um momento de encontro de amor, em que encontro Jesus Crucificado, nas realidades de sofrimento, e alegria da história e voz de cada uma destas mulheres”, avaliou a mestranda em enfermagem da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal do Mato Grosso.

Assim que finalizar os atendimentos individuais, a agente pastoral quer dar mais um passo com o projeto “Cuidando da nova vida: como vamos cuidar dos nossos bebês? Curso para gestantes e puérperas do Presídio Ana Maria Couto”.

A ação realizada no dia 16 foi bem recebida pela direção da penitenciária. Desde que a Pastoral Carcerária retomou as visitas regulares à unidade feminina, no ano passado, existe uma preocupação em priorizar gestantes e crianças. A assistência às gestantes amplia as ações que já são realizadas como o auxílio às reivindicações internas de atendimento médico e oferta de enxovais e material de higiene, doados pela comunidade católica.

Mais sobre o serviço de Doula

Doula é a mulher que auxilia e dá suporte físico e emocional à outra mulher no período da gestação, parto e pós-parto. O serviço de Doula sempre existiu, pois na trajetória humana as mulheres sempre se ajudaram no momento do parto.

Atualmente, as doulas têm formação específica e estão voltadas à humanização do parto e à qualidade de vida da mãe e do bebê.  A doula não realiza procedimentos médicos e da equipe de Enfermagem, mas dá suporte às necessidades da mulher. No dia 31 de janeiro deste ano, o serviço de doula foi reconhecido pelo Ministério do Trabalho como ocupação, com o nº 3221-35, além de ser reconhecido pelo Ministério da Saúde como fator positivo para o parto e a amamentação.

 

(Fotos e informações de Ana Cláudia/Pastoral Carcerária da Arquidiocese de Cuiabá)


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