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Notícias › 04/06/2015

Papa: ‘Dom Romero nos convida à ternura e a reflexão, ao respeito pela vida e a concórdia’

Dom Oscar RomeroPor ocasião da beatificação de Dom Óscar Romero, em 23 de maio, em San Salvador, capital de El Salvador, onde o novo beato foi morto em 1980, o Papa Francisco enviou saudação a Don José Luis Escobar Alas, arcebispo de San Salvador.

“Dom Romero nos convida à ternura e a reflexão, ao respeito pela vida e a concórdia. É necessário renunciar à ‘violência da espada, do ódio’ e viver a ‘violência do amor, aquela que deixou Cristo pregado na cruz, a que cada um se faz para vencer seus egoísmos e para que não haja desigualdades tão cruéis entre nós’. Ele soube ver e experimentou na sua própria carne ‘o egoísmo que se esconde em quem não quer ceder do próprio para alcançar os demais’. E, com coração de pai preocupou-se ‘das maiorias pobres’, pedindo aos poderosos que convertessem ‘as armas em foices para o trabalho’”, afirmou o Papa Francisco.

A íntegra da carta do Papa ao Arcebispo de San Salvador, com importantes exortações para a verdadeira prática da solidariedade e justiça social, pode ser vista abaixo.

 

CARTA DO SANTO PADRE FRANCISCO
POR OCASIÃO DA BEATIFICAÇÃO
DE DOM ÓSCAR ARNULFO ROMERO GALDÁMEZ

Excmo. Dom José Luis Escobar Alas
Arcebispo de San Salvador
Presidente da Conferência Episcopal de El Salvador

 

Caro Irmão:

A beatificação de Dom Óscar Arnulfo Romero Galdámez, que foi Pastor dessa querida arquidiocese, é motivo de grande alegria para os salvadorenhos e para quantos nos alegramos com o exemplo dos melhores filhos da Igreja. Dom Romero que construiu a paz com a força do amor deu testemunho de fé com sua vida entregue até o extremo.

O Senhor nunca abandona o seu povo nas dificuldades, e se demonstra sempre solicito com as suas necessidades. Ele vê a opressão, ouve os gritos de dor dos seus filhos e corre em sua ajuda para libertá-los da opressão e levá-los para uma nova terra fértil e espaçosa, que “emana leite e mel” (cf. Ex 3, 7-8). Como um dia escolheu Moisés para que em seu nome guiasse seu povo, continua suscitando pastores segundo o seu coração para que apascentem com ciência e prudência seu rebanho (cf. Jer 3, 15).

Neste belo país centro-americano, banhado pelo Oceano Pacífico, o Senhor concedeu à sua Igreja um Bispo zeloso que, amando a Deus e servindo os irmãos converteu-se na imagem do Cristo Bom Pastor. Em tempos de difícil convivência, Dom Romero soube guiar, defender e proteger seu rebanho, permanecendo fiel ao Evangelho e em comunhão com toda a Igreja.

Seu ministério se distinguiu por uma particular atenção aos mais pobres e marginalizados. E no momento de sua morte, enquanto celebrava o Santo Sacrifício do amor e da reconciliação, recebeu a graça de se identificar plenamente com Àquele que deu a vida pelas suas ovelhas.

Neste dia de festa para a Nação salvadorenha e também pelos países irmãos latino-americanos, damos graças a Deus porque concedeu ao Bispo mártir a capacidade de ver e ouvir o sofrimento de seu povo, e foi transformando seu coração para que, no seu nome, o orientasse e iluminasse até fazer de sua ação um exercício pleno de caridade cristã.

A voz do novo Beato continua ressoando hoje para nos recordar que a Igreja, convocação de irmãos à volta de seu Senhor, é família de Deus, na qual não pode haver divisão alguma. A fé em Jesus Cristo, quando bem compreendida e assumida até as últimas consequências, gera comunidades artífices de paz e solidariedade. A isto é que está chamada hoje a Igreja em El Salvador, na América e no mundo inteiro: a ser rica em misericórdia, a se converter em motivadora de reconciliação para a sociedade.

Dom Romero nos convida à ternura e a reflexão, ao respeito pela vida e a concórdia. É necessário renunciar à “violência da espada, do ódio” e viver a “violência do amor, aquela que deixou Cristo pregado na cruz, a que cada um se faz para vencer seus egoísmos e para que não haja desigualdades tão cruéis entre nós”. Ele soube ver e experimentou na sua própria carne “o egoísmo que se esconde em quem não quer ceder do próprio para alcançar os demais”. E, com coração de pai, preocupou-se “das maiorias pobres”, pedindo aos poderosos que se convertessem “as armas em foices para o trabalho”.

Quantos têm Dom Romero como amigo na fé, quem o invoca como protetor e intercessor, quem admira sua figura, encontrem nele a força e o animo para construir o Reino de Deus, para se comprometerem por uma ordem social mais equitativa e digna.

É momento favorável para que uma verdadeira e própria reconciliação nacional perante os desafios que hoje se enfrentam. O Papa participa de vossas esperanças, se une as vossas orações para que floresça a semente do martírio e se fortaleçam pelos verdadeiros caminhos os filhos e filhas desta Nação que se gloria de levar o nome do divino Salvador do mundo.

Querido Irmão, peço-te, por favor, de rezar e fazer rezar por mim, enquanto envio a Benção Apostólica a todos os que se unem de diferentes maneiras à celebração do novo Beato.

Fraternalmente,
Francisco

Vaticano, 23 de maio de 2015.


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