Uma mãe, uma filha e a recorrente revista vexatória

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Aconteceu em maio de 2012, em uma unidade prisional paulista. Uma senhora, acompanhada por sua mãe, já idosa, e o neto de 11 anos, foi visitar a filha, presa há cinco anos.
“O que nós passamos quando a visitamos é uma humilhação total. Tiramos toda a roupa e agachamos, somos tratados como se fossemos pessoas do crime”, lamentou, em carta escrita a agentes da Pastoral Carcerária. “Sinto-me desvalorizada como ser humano. Sou honesta, respeito todos os preceitos da lei, valorizo meus compromissos e trabalho, mantenho em dia meus deveres e obrigações”, complementou a senhora.
Também em carta à Pastoral, a filha presa recordou que ao ir a seu encontro após a revista naquele dia, a mãe expressava nos olhos “a indignação e o sentimento de impotência e humilhação que enfrentam para vir me ver”.
“Me sinto neste momento revoltada por ver que algumas pessoas, ou melhor, alguns agentes penitenciários, se acham no direito de desrespeitar e humilhar nossas famílias que não tem culpa alguma por nossos delitos, e que é bom lembrar já estamos pagando por eles”, expressou a presa.
Mas a indignação de mãe e filha tinha outro motivo também: o garoto de 11 anos, filho da presa, que tem problemas de saúde, passou naquele dia a ser revistado por agente masculino, tal qual se faz com os adultos.
“Hoje, o agente penitenciário que revista os homens juntamente com a agente feminina retirou meu filho da fila em que estava com minha mãe para que o revistasse sem a presença dela, alegando que meu filho já é um rapaz”, detalhou a presa.
“Nossos adolescentes passam pela mesma revista que os adultos. É por este motivo que muitas pessoas não visitam seus pais, irmãos e filhos, não tem estrutura psicológica para passar por esta humilhação”, avaliou a mãe da mulher encarcerada.
Cansada de tal situação, a senhora clama por uma solução: “Torço encarecidamente que, por favor, tomem uma providência para que esta lei seja revista, seja mudada, para não continuarmos passando tanta humilhação e constrangimento para não tirarmos a roupa, ferindo nossa integridade”.
A filha presa relatou ainda que não apenas sua mãe, sua avó e seu filho sentem-se constrangidos com a revista vexatória. “Já presenciei mães de algumas companheiras de detenção entrarem chorando e passando mal por causa da maneira que foram tratadas e até humilhadas na hora da revista”.
“Sinceramente, nossas famílias não merecem passar por isso, pois é por amor e saudades que se sujeitam a tudo isso, para nos verem, mas isso tem que acabar, pois são inocentes e precisam ser tratados com respeito e dignidade”, opinou a presa na conclusão de sua carta à Pastoral Carcerária.

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