Reportagem sobre preconceito sofrido por filhos de presos é premiada pela CNBB

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Filhos de mulheres presas
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) anunciou, em 23 de março, a relação de trabalhos midiáticos vencedores dos prêmios de comunicação oferecidos pela instituição, que serão entregues em 8 de abril, durante a 54ª Assembleia Geral da CNBB.
Na categoria “Imprensa-Revista” a reportagem “Eles não têm culpa”, publicada pelo jornalista Nathan Xavier, na edição de outubro de 2015 da revista “Família Cristã”, foi a vencedora. A reportagem trata do preconceito sofrido pelos filhos de pessoas presas e das dificuldades dos familiares em visitar seus entes queridos que estão encarcerados.
“O sol nem apontou os primeiros raios da manhã e uma grande fila já está formada do lado de fora do presídio, cena muito comum em todo o País. Muitas mulheres conversam retocando a maquiagem, em sua maior parte esposas e mães de detentos. Elas não estão só. Crianças de diversas idades correm de um lado para o outro brincando, algumas ainda dormindo. Convivendo na escola ou na vizinhança, praticamente todas escondem que o pai está encarcerado, pois cedo se dão conta de que o preconceito existe”, consta no começo do texto
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Uma das entrevistadas na reportagem foi a Irmã Petra Silvia Pfaller, coordenadora nacional da Pastoral Carcerária para a Questão da Mulher Presa, que confirmou o preconceito vivido pelos filhos dos presos na sociedade. Para ela, a prevenção, incluindo a atenção a esses filhos de presidiários para que não estejam expostos aos mesmos fatores de risco que seus pais, é a melhor saída: “É preciso investir na prevenção: saúde, educação, trabalho. Existem pessoas que não precisam estar presas, precisam de apoio, de ações sociais como trabalho ou formação profissional. Se ela ficar lá terá mais contato com o mundo do crime”.
Entre os detalhes contados na reportagem sobre um dia de visita à prisão, foi mencionada a manutenção da prática da revista vexatória nas unidades prisionais paulistas. “Mulheres, idosas e crianças ficam nuas em frente aos agentes penitenciários, precisam agachar e levantar diversas vezes em cima de um espelho e abrir suas partes íntimas para revista do agente. Não é raro essas mulheres chorarem diante do olhar assustado dos filhos”, consta na reportagem.
“Os próprios presos falam que quem cumpre a pena é a família. O sistema prisional não tem local adequado para receber os familiares”, relatou Irmã Petra”, que também citou o quanto o sistema prisional é mais opressor em relação às mulheres. “A maioria dos homens largam as mulheres presas, o contrário dificilmente existe”, atestou a Irmã. Além disso, “quando a mãe é encarcerada, o choque para os filhos é maior, pois eram elas que cuidavam deles antes de serem presas”. As crianças acabam sendo cuidadas pelas avós ou que seguem para abrigos da prefeitura, aumentando o trauma e a vulnerabilidade social.
A Irmã também lembrou que as unidades prisionais não foram construídas para atender as especificidades das mulheres e isso também impacta na convivência que possam ter com os filhos. “Irmã Petra afirma que, em uma maternidade para filhos de encarceradas em São Paulo, as presas denunciam que não há pediatra nem clínico geral, e quando as crianças precisam ir ao hospital para algum atendimento, as mães não podem ir junto, nem conversar com o médico, ficando a cargo das agentes penitenciárias. Os bebês ficam o mínimo de tempo garantido por lei nessas maternidades, que são de seis meses. Após esse período, saem para ficar com parentes”, consta no texto.
 
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