Justiça restaurativa e caos das prisões são temas da assembleia da PCr na Paraíba

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Interna_inferior_paraibaA Pastoral Carcerária da Paraíba realizou sua 21ª assembleia estadual entre 15 e 17 de abril no Centro Pastoral Dom Luiz Gonzaga Fernandes, na Diocese de Campina Grande, com a participação de 67 pessoas das cinco dioceses do Estado.
Além dos integrantes da coordenação estadual, participaram da assembleia o Padre Valdir João Silveira, coordenador nacional da Pastoral Carcerária, e Marcelo Naves, assessor de comunicação da PCr nacional.
Padre Valdir enfatizou que a Pastoral Carcerária não deve apoiar ações que visem construir mais unidades prisionais, mas sim lutar contra a superlotação carcerária e a lentidão da Justiça no julgamento das pessoas encarceradas. O Sacerdote estimulou, também, que os agentes da Pastoral denunciem as precariedades prisões.
O coordenador nacional da PCr lembrou que a Justiça está distante das unidades prisionais e questionou como é possível viver o Ano Santo extraordinário da Misericórdia sem colocar em discussão essas situações.
Já Marcelo Naves comentou sobre os canais de comunicação disponíveis na Pastoral Carcerária, tais como o Site da PCr Nacional e Facebook, além da disponibilidade de materiais de formação que são partilhados pela coordenação nacional.

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Encarceramento e PCr na Paraíba
Guiany Campos Coutinho, responsável na PCr da Paraíba pela Questão da Mulher Presa, e Vitória, da Diocese de Cajazeiras, falaram sobre a situação das presas no Estado e do trabalho da Pastoral Carcerária em atenção às encarceradas em todo o Brasil.
Os representantes das dioceses relataram as ações que têm realizado, por vezes agindo para cobrir lacunas da atenção que o Estado deveria dar às pessoas presas.
Nesses relatos, falou-se sobre o Instituto de Psiquiatria Forense, de João Pessoa, que está com limitações de visitas das equipes da Pastoral. Esse Instituto foi sempre objeto de preocupação, pois lá pacientes do interior do Estado ficam esquecidos pela própria família e não têm a devida assistência.
Justiça Restaurativa
Um dos temas refletidos na assembleia foi sobre a Escola de Perdão e Reconciliação (Espere), apresentado pela Irmã Socorro Dantas, religiosa da Congregação das Filhas do Amor Divino.
A Irmã detalhou que a Espere nasceu na Colômbia, onde os conflitos chegaram a eliminar inúmeras vidas. Com esse método implantado inclusive nas escolas colombianas, tem sido revertidas situações e práticas de violência. A Espere leva a pessoa a fazer uma experiência pessoal de suas memórias gratas e ingratas para chegar a uma experiência de perdão consigo mesmo e com os outros.
Depois de trabalhar a vivência do perdão e da reconciliação, se pode fazer a experiência de práticas ou círculos restaurativos para trabalhar experiências de conflitos existentes, na família, em grupos, nas comunidades, nas escolas, com os vizinhos etc. Às vezes, as pessoas querem superar seus desencontros, mas não sabem o que e como fazer.
Com as práticas restaurativas, quando as partes estão dispostas a dialogarem, se pode chegar a um denominador comum, com acordos de convivência e reparação de danos.
A Irmã comentou, ainda, que a grande questão é que se enxerga a violência como se fosse algo completamente externo a nós e, assim sendo, não temos muito a ver com ela e podemos culpar os outros pela sua existência. Nesses exercícios, vamos percebendo que a violência existe porque está dentro de cada ser humano. Como nós aprendemos os nossos hábitos de higiene, de alimentação, aprendemos também as práticas e formas de violência. A violência não será combatida com mais polícias na rua, mas com todo um processo pelo qual as pessoas se eduquem para a convivência fraterna e a busca da paz. A Espere é um com caminhos que pode ajudar a quem se dispõe e descobrir uma alternativa para a vida em comunidade.
Espiritualidade
Durante o encontro, houve momentos de oração e a celebração da Eucaristia. No domingo, dia 17, Dia do Bom Pastor, o Padre Valdir presidiu missa e lembrou aos participantes que “as prisões a nós confiadas são as nossas ovelhas; são aquelas ovelhas não foram confiadas a padres ou a bispos, mas a nós que temos a tarefa de cuidar, acompanhar, proteger. Esse é o papel do Bom Pastor: dar a sua vida”.
O encontro se concluiu com os agradecimentos a todas e todos que participaram e à Diocese de Campina Grande pela acolhida. A próxima assembleia estadual acontecerá de 21 a 23 de abril de 2017, na Diocese de Cajazeiras (PB).

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