Crônicas do cárcere: o fruto misterioso

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A Pastoral Carcerária recebeu a crônica abaixo, escrita por um preso do sistema carcerário, de uma conversa entre ele e um colega que, por estar preso há mais tempo, não conhece algumas coisas muito simples de hoje em dia, incluindo um fruto muito popular:

Conversa, mano! Qual a cor dessa parada?

– Roxo! Um roxo bem forte.

-Roxo? Cê é louco, mano!

-Pois é!

-E quando isso aí virou moda, mano?

– Meu, acho que é coisa de cinco ou seis anos, talvez menos.

– E a galera gosta?

– Bastante!

– Cê é louco, seis meses de rua e não vi essa parada?

– Tirou quanto?

– Sete anos e quatro meses numa ripa de onze, mas vinha de outra ripa de oito.

– Então, vai ver foi isso.

– Essas parada de internet eu nem vi, fiquei maior cota capengando pra usar essa zap aí. Mas de onde vem esse bagulho?

– Palmeira, é o fruto de uma palmeira.

– Palmeira dá palmito, mano!

– Também, mas dessa se aproveita a fruta e o palmito.

– É daqui memo?

– Sim, do norte, Pará, Maranhão, mas pra lá é salgado.

– E aí, aqui é doce?

– Sim, tem açúcar.

– Mano, não é possível uma parada dessas! E é tipo um sorvete?

– Não, mas é gelado e tem em sorveterias também, tem sorvete, suco e por aí vai.

– Cê é louco, mano. E como é que escreve isso. Anota aí, anota pra mim numa folha lá que amanhã tenho audiência, se eu sair vou direto pra uma sorveteria experimentar essa fita.

“Açaí”, escrevi na folha que entreguei antes que ele fosse ao Fórum para receber uma ripa de quatro anos e oito meses. O primeiro açaí dele vai ficar pra outra ocasião.

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