Ações Pastorais em 2014

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No início do ano, as atividades vão sendo retomadas e reestruturadas. A Igreja Católica, com suas paróquias e demais serviços, vai realizando seus planejamentos pastorais. Na Igreja, temos inúmeros serviços com muitas pastorais. Dentre elas algumas que pouco se ouve falar, pois são serviços prestados de forma bastante silenciosa. Outras mesmo sendo trabalhadas de forma silenciosa são lembradas com críticas ou elogios.
DIGITAL CAMERAO termo “pastoral” é muito conhecido e citado tanto nos documentos da Igreja quanto na prática diária da vida cristã.
A pastoral pode ser definida de inúmeras maneiras e pode ser pensada assim: pela ação pastoral, a igreja manifesta o seu compromisso e a sua compaixão para com as realidades da vida humana. A pastoral é o prolongamento da atitude do Bom Pastor, que vem dar a sua vida pelas suas ovelhas. Assim, não existe pastoral sem essa imagem presente e atuante do Cristo Pastor. Toda ação pastoral mantém viva as atitudes e os gestos de Jesus. Sem isso não se pode pensar numa ação pastoral autêntica.
Algumas pastorais estão mais voltadas para a formação cristã, como pastoral de iniciação cristã ou como uma pastoral bíblica. Outras, no entanto, encarnam de forma mais direta no seu agir o agir de Jesus. Por exemplo: a pastoral dos enfermos, dos moradores de rua, das periferias, da terra, dos pescadores, dos adolescentes. Essas pastorais que lidam mais diretamente com a realidade de sofrimento e de exclusão social. Entre essas está também a Pastoral Carcerária. Nessa realidade, agentes de pastoral se deparam com muito sofrimento, como aconteceu com o próprio Jesus, que foi seguido pelas pessoas sofridas do seu tempo que não tinham a quem recorrer. Assim, também hoje, a Igreja precisa ser esse espaço onde os pobres precisam recorrer; da mesma forma, a Igreja, com suas pastorais, precisa ir ao encontro deles. É isso que o papa Francisco tem sinalizado para toda a Igreja: descentrar-se para ir ao encontro dos mais afastados. Isso significa que a Igreja precisa dar atenção especial para as pastorais sociais.
A Pastoral Carcerária muitas vezes é vista como a mais difícil e tida por desnecessária até por cristãos que são tidos como atuantes. Não se trata de ser algo difícil: trata-se apenas de admitir que a pessoa presa é gente; perdeu a liberdade, mas não a dignidade que nós temos. Se não compreendemos isso, estamos nos sentindo mais importantes e superiores e já colocando em risco a nossa vida cristã e a nossa união com o Senhor. Quem faz acepção de pessoas não está unido a Deus, mesmo que reze muito. Devemos ter o cuidado de não marginalizar os que já estão excluídos, pois mesmo sendo pessoas católicas, nossa religião não é aceita por Deus.
Ninguém gosta de sofrer e ninguém nasceu para sofrer. A prisão também não é para causar sofrimento, mas para ajudar quem errou a rever a sua vida e refazer o seu caminho. Temos lembrado e repetido que o Estado é tão criminoso quanto o crime que ele combate, pois transforma as prisões em lugar de sofrimento e de morte.
As agentes e os agentes de nossa pastoral vão às prisões e em todas as visitas estão em contato com Jesus preso, doente, crucificado e morto. Eu estava preso, doente, nu e vocês foram me visitar. Faz bem à vida cristã ser presença solidaria da Igreja lá onde Jesus está vivendo o seu calvário, a sua paixão. Uma pessoa cristã que nunca visitou uma pessoa presa precisa encontrar com Jesus na prisão. Desde o início da Igreja, visitar a pessoa presa é uma obra de misericórdia. Nas visitas pelo Brasil afora são presenciados também muitos sinais de solidariedade entre pessoas detidas (partilha), aquilo que a mídia não tem interesse de visitar. Toda pessoa cristã que adora o Cristo na eucaristia precisa um dia na sua vida adorá-lo nas grades de uma prisão. Jesus não mentiu quando disse: Eu estava preso e vocês FORAM ou NÃO FORAM ME VISITAR.
 
Padre Bosco Nascimento
Coordenador da Pastoral Carcerária na Paraíba
Presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos
pebosco@yahoo.com.br

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