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Notícias › 11/10/2017

Missa em Aparecida relembra massacre do Carandiru e presta homenagem aos agentes da Pastoral

No último domingo (08), agentes e coordenadores da Pastoral Carcerária de vários estados estavam presentes em Aparecida do Norte, para uma missa especial em recordação dos 25 anos do massacre do Carandiru.

A missa foi celebrada pelo arcebispo de Diamantina (MG), Dom Darci Nicioli, e concelebrada com diversos outros bispos e padres, entre eles o Pe. Valdir Silveira, coordenador nacional da PCr.

“Esse sistema prisional desumano precisa ser reformulado. O trabalho de vocês é árduo, mas vocês dão esperança àqueles que não tem liberdade”, disse o arcebispo aos agentes.

Dom Darci afirmou que o papel da Pastoral é fundamental na construção de uma igreja que não seja “passiva, inerte e omissa. Deus abomina a passividade”.

Ele ressaltou também a importância que a pastoral tem dado às mulheres encarceradas, muitas vezes com suas crianças, e concluiu parabenizando o trabalho dos agentes.

“Vocês são obra da salvação, anjos que entram nas prisões porque acreditam na recuperação do ser humano”.

Encontro

Após a celebração, os agentes se reuniram em um auditório da basílica para debater temas relacionados às pautas da Pastoral.

O padre escocês Brian Gowans, presidente do ICCPPC, organização internacional das pastorais Carcerárias, que estava em encontro no Brasil, fez uma saudação aos agentes:

“É uma honra estar aqui. Sempre ouvimos falar de Aparecida, mas a gente só sonhava de estar aqui. 11 milhões de pessoas estão presas no mundo todo. A prisão virou a regra ao invés do último recurso”, e apontando para a camiseta que vestia da Pastoral Carcerária, concluiu: “por isso que nas minhas costas está escrito ‘por um mundo sem cárceres’”.

Em seguida, Padre Valdir fez um breve panorama da missão da pastoral e de seus agentes.  “A PCr faz história hoje. Estamos aqui para pedir força, fé e coragem. Se mata nos presídios, se mata nas ruas. Queremos libertar todo o povo oprimido. As favelas e periferias são as mães do cárcere, e o padrasto é o judiciário, que oficializa, maltrata e mata. Sejamos a voz que não se cala, em defesa de quem sofre no cárcere”.

A irmã Petra, coordenadora nacional da questão da mulher, e Vera Dalzotto, coordenadora estadual do Rio Grande do Sul, fizeram uma apresentação sobre a situação da mulher presa.

“Nesse momento que estamos aqui, tem mulheres sendo torturadas na prisão, com crianças junto”, disse Petra. Agentes de estados como DF, GO, RS, CE, SP, MG e PB apresentaram dados da situação da mulher encarcerada.

Por fim, Marcelo Naves, assessor da Pastoral, fez uma fala sobre a importância da Agenda Nacional Pelo Desencarceramento.

“Quem está preso hoje tem uma característica muito específica, definida pela cor da pele, pela estrutura social. Não defendemos a construção de mais cadeias, pois quanto mais presídios são construídos, mais gente é presa. As propostas da Agenda são, para nós, uma solução para essa situação crítica do sistema prisional no Brasil”.


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