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Padre Gianfranco: A justiça de Deus é misericórdia

 em Igreja em Saída

GianfrancoO ano de 2015 foi conturbado para os presos do Brasil. A constatação foi feita pelo Padre Gianfranco Graziola, vice-coordenador nacional da Pastoral Carcerária, em entrevista à rádio Vaticano, na qual lamentou a continuidade do encarceramento em massa no Brasil e ressaltou que a Pastoral se esforça para vivenciar as obras de misericórdia e estimula que todos as façam na atenção aos presos e aos seus familiares.

OUÇA A ÍNTEGRA DA ENTREVISTA

LEIA A ENTREVISTA ABAIXO

Rádio Vaticano – Para os presos brasileiros, como foi o ano de 2015?

Padre Gianfranco – Foi um ano muito conturbado, um ano péssimo, apesar das audiências de custódia, tivemos a continuação do encarceramento em massa, o que não é bom. Uma sociedade que encarcera. Enquanto outras como a chinesa, a russa e a norte-americana entenderam que esse não é o caminho, a brasileira continua fazendo isso, sobretudo com os pobres e periféricos, isso naturalmente nos faz pensar e ter certa preocupação, sobretudo porque em 2015 houve por parte do Estado a tentativa, por várias vezes, de privatizar o sistema prisional, torná-lo algo lucrativo.

Rádio Vaticano – E o que se espera para este ano de 2016? O que o senhor pediria para os políticos, tendo em vista, justamente, que estamos vivendo o Jubileu da Misericórdia e o Papa Francisco também decidiu dedicar o Jubileu aos prisioneiros e detentos? Que reflexão pode ser feita à luz deste ano jubilar?

Padre Gianfranco – A primeira questão é que nós entendemos que a misericórdia é a nova linguagem de Deus. A Justiça de Deus, às vezes é invocada como algo de castigo, de punição, mas o nome verdadeiro, e o Papa Francisco o tem repetido, é misericórdia. A misericórdia não tem contrapartida, não tem merecimento, ela acontece e somos abraçados por Deus, nos tornamos parte da vida de Deus e essa misericórdia vai transformar nosso coração e nosso olhar. A Pastoral Carcerária se esforça para fazer, através das obras de misericórdia espirituais e corporais, a transformação do olhar da sociedade sobre os presos, para que a sociedade entre no cárcere para ver que não é mordomia, que este não é o caminho certo, mas sim o da misericórdia. Tal misericórdia, nós queremos também pedi-la ao executivo, pensando no indulto e na questão do ano da graça, que achamos ser importante para que realmente, também no Brasil, possamos ter um olhar novo, este olhar da misericórdia.

Rádio Vaticano – O Papa pede que coloquemos em prática as 14 obras de misericórdia, e uma delas é muito próxima aos detentos, que é visitá-los. Como colocar esta obra de misericórdia em prática nas prisões do Brasil?

Padre Gianfranco – Uma das propostas desafiadoras para nós, Pastoral Carcerária, é justamente que as comunidades cristãs façam o possível para visitar o cárcere, mas há outras realidades em que podemos colocar em prática essa obra de misericórdia, como, por exemplo, cuidar e trabalhar com a família dos encarcerados, porque eles também acabam ficando encarcerados – as mulheres, os filhos e os parentes – já que vivem esse drama. Na medida do possível, é bom que as pessoas consigam visitar os cárceres, entrar neste ambiente e ver que é muito diferente do que a imprensa muitas vezes apresenta. Lá estão homens e mulheres, jovens, negros em sua maioria, que são frutos da nossa sociedade do descartável, que quer eliminar e, sobretudo, quer o lucro, mas não olha para a pessoa. Portanto, a misericórdia é este nosso olhar novo, desafiador, e que coloca em questão a nossa ecologia, buscando uma ecologia integral, de toda a pessoa humana como valor supremo.

 

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