Muito obrigado, Padre Valdir!

 Em Igreja em Saída, Notícias

Padre Valdir,

Escrever sobre o fim de seu tempo como coordenador da Pastoral Carcerária não é tarefa fácil. Durante esses mais de oito anos que esteve à frente da PCr, o senhor se tornou referência e inspiração para muitas pessoas que acreditam e lutam por um mundo melhor.

Referência por ter visitado a maioria das prisões desse país e, apesar da quantidade de violações, torturas, sofrimentos e absurdos que viu, ouviu e sentiu, você nunca perdeu a esperança, a vontade de lutar e a voz para denunciar o que nossos irmãos sofrem cotidianamente atrás das grades.

Sem a sua liderança, a Pastoral com certeza não teria a relevância que tem atualmente na luta pelos direitos humanos e por um mundo sem prisões.

O senhor é fonte de inspiração justamente por essa garra e pela vida dedicada às pessoas mais marginalizadas da sociedade. Sua luta transformou e transforma muitas pessoas que te conhecem e passaram pelo seu caminho.

Se não acredita, é só ler os depoimentos abaixo, de membros da Pastoral e de organizações parceiras, que aprenderam muito com o senhor e admiram você, sua vida e sua entrega. Esses depoimentos são só de uma pequena parte das pessoas que tiveram contato com você, porque é impossível colocar o depoimento de todo mundo cuja a vida o senhor tocou ou mudou.

A sua coordenação pode ter terminado, mas sabemos que seu compromisso com as pessoas presas é para a vida toda. Descanse bastante, e esperamos poder contar sempre com você!

Padre Gunther Zgubic – Coordenador nacional da Pastoral Carcerária 2002 a 2009

Queridíssimo Pe. Valdir!

Agradeco-lhe demais de ter assumido a coordenação nacional da PCr quando eu não consegui mais a levar para frente, em situação de saúde enfraquecida. Assim, os frutos do nosso trabalho juntos por anos não caíram no chão, mas foram cuidados por você, e foram muitíssimo multiplicados por sua dedicação total e opção de vida pelos excluídos da sociedade.

Por sua consagração pessoal de vida, a vida de todos os presos e presas do Brasil foi consagrada perante nosso bom Deus e a sociedade brasileira. Por sua entrega de vida a serviço do amor divino por esses nossos irmãos e irmãs, a serviço de nossos(as) agentes de PCr no Brasil todo, o Reino de Deus chegou para dentro de todos os nossos corações.

Deus o abençoe também daqui para frente, como ele já fez até agora. E Ele lhe dê a saúde que você precisa para suas dedicações futuras. Um abraço forte, unido em orações a você e todos(as) os agentes da PCr do Brasil.

Débora Silva – Movimento Mães de Maio

Estamos aqui para agradecer a passagem do Pe. Valdir na coordenação da Pastoral Carcerária. Agradecer a parceria que o Padre Valdir faz conosco, do movimento Mães de Maio, desde a agenda contra tudo o que é tipo de violações de direitos humanos no sistema prisional, como também na Agenda Nacional Pelo Desencarceramento.

Também fizemos enfrentamentos juntos: em Florianópolis para implantar Defensoria no Estado que não tinha. Participamos de várias audiências, inclusive com o Governo Federal, para dizer que a Agenda tinha que ter o engajamento de todos para fazer valer as ações pelo desencarceramento em massa.

A gente tem muito a agradecer ao Padre Valdir, e estamos meio órfãs de saber que ele não está mais na coordenação da Pastoral. Mas queremos ele junto de nós. Agradecemos de coração.

Anderson José da Silva e Erica Carolina Rodrigues da Silva – Agentes da Pastoral de São Paulo

O Padre Valdir foi nossa porta de entrada na Pastoral Carcerária, mas sua importância ao nosso trabalho não se reflete só nisso. Acho que o algo mais marcante que ele nos ensinou é nunca deixar se desumanizar, por mais que o convívio com o cárcere e a miséria às vezes faça isso com a gente.

Mesmo depois de tantos anos servindo a Pastoral, ele manteve o mesmo olhar misericordioso e atencioso para cada preso que o procurou em nossas visitas. Todo mundo é importante, todos têm direitos que merecem ser respeitados, por mais que o problema dele pareça menor diante do dos outros.

Não é qualquer um que entrega a sua vida a um trabalho de pastoral de fronteira, como é a Carcerária, e por isso Valdir é modelo e exemplo pra nós dois. Agradecemos por todo aprendizado, amizade, compreensão e confiança, que sabemos que podemos depositar em você.

Irmã Petra – Coordenadora nacional da Pastoral Carcerária

Padre Valdir,

Sinto-me agraciada, agradecida e desafiada.

Agraciada porque em algum momento o senhor lembrou de mim e me chamou, e neste chamado tive a Graça de aprender com seu testemunho, simplicidade e audácia na defesa da vida destes e destas preferidos e preferidas de Deus pelas condições de vulnerabilidade e misérias vividas nestes calabouços desumanos.

Agradecida porque nesta vivência, mais que aprender, pude contribuir me colocando à disposição na mesma luta, causa nossa de busca de vida em abundância em consonância com o nosso sim na vocação escolhida, e desafiada pois após toda esta caminhada e oportunidade de crescer, ocupo por um tempo o lugar antes ocupado por um profeta como o senhor.

Bem sei que o jeito não será o mesmo mas o amor, entrega e busca por um mundo sem cárceres será!

Padre Valdir, palavra nenhuma explicaria toda minha gratidão.

Dom Henrique de Lima – Bispo Referencial da Pastoral Carcerária

Eu, Dom Henrique A. de Lima, CSsR, neste um ano e meio como Referencial da Pastoral da Carcerária Nacional, pude conviver um pouco com Pe. Valdir e ver nele um homem de Deus dedicado, preocupado com a realidade dos apenados.

Sempre se envolvendo cada vez mais, se pudesse, na defesa destes povos sem voz e nem vez. E dizia: “deixando a coordenação, vou ter mais tempo para este povo sofrido. Quero estar junto deles com a graça de Deus”.

Parabéns Pe. Valdir pelo bem que fez através da Coordenação e continuará fazendo em sua vida.

Deus te abençoe!

Regina Reinart – Representante da Misereor

Querido Padre. Valdir,

Receba o agradecimento profundo da Misereor pelos anos de dedicação como coordenador nacional da Pastoral Carcerária. Foram anos bastante difíceis, não somente durante o desafio de muitos projetos de lei, mas anos de massacres, de mortes, de injustiças e de ameaças.

Você sempre estava junto bem perto das pessoas encarceradas. Ao mesmo tempo não temeu a mídia, sempre falou em nome daqueles que não têm voz nem vez. Igual no evangelho, o senhor conhece as suas ovelhas. O rebanho não é nos pastos verdes, mas atrás das grades.

A Misereor admira imensamente a sua postura, a sua clareza e a sua energia. Raramente se encontra uma pessoa cheia de interesse, de garra, de busca sincera.

Mandamos a nossa oração humilde e simples para que você – a partir de agora – tenha um pouco mais tempo de seguir os seus interesses como fotógrafo, de ter tempo com a sua família, de passear com os seus amigos e amigas e de ter espaço para retiros, dias de paz, dias de leitura e de caminhada.

Saiba que sempre terá um ouvido e um coração na Misereor, que escuta e que bate pela população encarcerada. Com a nova coordenação levaremos o barco para frente, como se diz. Teremos certeza que os nossos caminhos se cruzarão.

José De Jesus – Ex-assessor jurídico da Pastoral Carcerária Nacional

Foi um privilégio trabalhar com padre Valdir. Ele é um exemplo de padre devotado servico pastoral, aos presos e aos colegas de trabalho.

Padre Gianfranco Graziola – Vice-coordenador da Pastoral Carcerária (2015 a 2018)

Caro Pe. Valdir, nestes últimos quatro anos, compartilhamos a caminhada da Pastoral Carcerária Nacional com as dores, as expectativas  e a grande esperança de “um mundo sem cárceres”.

Agradeço a confiança e sobretudo a grande aprendizagem de que “profecia” não é uma bela palavra da moda, mas uma opção de vida. Obrigado e abraço fraterno.

Jardel Lopes – Pastoral Operária Nacional 

O Padre Valdir é um testemunho de seguimento do Cristo que proclamou a “vida em abundância” (Jô 10, 10). Pe Valdir não tem medo de defender a vida daqueles que para grande parte da sociedade são “indefensáveis” – as pessoas encarceradas e seus familiares.

Um padre por vocação, íntegro, corajoso, humilde na luta pelo desencarceramento. Gratidão pela vida doada!

Heidi Ann Cerneka – Coordenadora honorífica para a questão da mulher presa

Trabalhar com o Valdir para mim era uma questão de parceria, de aprendizagem, de doação total à questão dos presos. Ele também conseguiu juntar a igreja, os funcionários, tendo a questão pastoral como prioridade, que são os presos e as presas.

Eu também acho que ele aprendeu muito com os agentes e as agentes da pastoral, sobre a questão da mulher presa e sobre a realidade em outros estados, por exemplo.

A pastoral cresceu muito com a coordenação do Valdir, e quando digo “coordenação do Valdir” me refiro a toda a equipe, assessores, o resto da coordenação, os coordenadores estaduais. A pastoral realmente assumiu um espaço de mais seriedade; já era uma entidade séria, que era procurada por entidades de direitos humanos, mas eu acho que com esses anos de construção a PCr cresceu muito, e isso foi bom para a igreja, porque o que a gente entende é que Jesus e o evangelho está sempre ao lado da pessoa mais excluída, e a Pastoral é a cara disso. Ajudou muito os presos, não chegamos ainda ao mundo sem prisões, mas vamos continuar tentando.

Norbert Bolte – Representante da Adveniat

Admiro muito a ação do Pe. Valdir na Pastoral Carcerária, seu compromisso com os encarcerados, com a justiça, com a dignidade indiscutível da pessoa, com a luta por uma sociedade mais humana e menos violenta.

Algumas vezes tive a oportunidade de acompanhá-lo durante visitas no presídio e vi nele o verdadeiro pastor que irradia esperança em espaços onde as pessoas carecem de perspectiva.

A luta irredutível do Pe. Valdir na perspectiva da opção preferencial pelos pobres e pelos encarcerados se tornou uma referência para mim. Espero que ele possa contribuir ainda bastante na construção da caminhada da PCr. Abraço forte.

Maria Marques – Agente da PCr no Amazonas

Sou um pouco suspeita para falar do padre Valdir.  O conheço há vários anos e sou testemunho do trabalho de amor, da dedicação dele com a Pastoral Carcerária. Durante o decorrer da sua coordenação, um dos grandes trabalhos que ele fez foi aqui no Amazonas, nos interiores e na própria capital.

Para mim você é um grande missionário, sempre ouviu a voz de Deus e colocou em prática seus ensinamentos. Meu querido irmão e amigo, eu continuo te amando fraternalmente e rogando a Deus para que você continue sua missão, e com a esperança que um dia você venha morar no Amazonas, somar com a gente da pastoral daqui.

Caroline Oliveira – Secretária executiva da Pastoral Carcerária Nacional

Quando conheci o padre Valdir aos 10 anos de idade, jamais poderia imaginar o quanto ele mudaria a minha forma de ver e viver a vida. Ter a oportunidade de conviver diariamente com sua força e incansável luta pelos mais excluídos, sua doação pela vida do próximo e a incapacidade de se calar diante de violências e injustiças é uma experiência de vida e caminhada que renova a fé e nos faz acreditar que é possível construir o Reino de Deus de justiça, amor e fraternidade.

Como diz a música: “Prova de amor maior não há que doar a vida pelo irmão”, e é isto que padre Valdir nos mostrou todos os dias durante sua jornada como Coordenador Nacional da Pastoral Carcerária.

Aline Ogliari – Pastoral da Juventude

Me recordo do Padre Valdir na primeira conversa que tivemos juntos, no início de 2015.  Já tinha ouvido falar muito sobre sua vida, seu serviço e suas provocações sobre estar juntos das pessoas encarceradas… mas, nessa reunião, a provocação veio pessoalmente: “todos esses movimentos ditos de esquerda abandonam as pessoas quando elas vão para a cadeia. A PJ também abandona jovens quando eles vão para lá? O que a PJ está fazendo para os jovens que estão presos?”.

Uma sacudida profunda, em mim e na PJ também, porque tocou em algo muito caro para nós, que é a defesa incondicional da vida das juventudes.

Se antes já o respeitava e admirava pelo o que eu ouvia, a partir de então, Pe. Valdir se tornou também uma referência para mim de compromisso e fidelidade ao Evangelho e aos seus e suas pobres, seus preferidos e suas preferidas.

Gratidão sempre pela tua vida, Pe. Valdir. E que ela seja muito generosa contigo, por onde fores e nas frentes que estiveres.

Paulo Malvezzi – Ex-assessor jurídico da Pastoral Carcerária Nacional

Talvez a característica que mais admiro no Pe. Valdir é a sua capacidade de indignação. Não importa quantas prisões e quantos estados ele tenha visitado; não importa quantas histórias bárbaras e denúncias ele tenha ouvido, ele nunca deixou de voltar indignado da prisão, nunca naturalizou os horrores do cárcere.

Com uma expressão permanente de urgência e sotaque indecifrável, ele nunca deixou de nos motivar. É amigo, conselheiro e ser humano exemplar. Homem de alma grande e de espiritualidade generosa.

Maria de Lourdes – Agente da Pastoral Carcerária de Minas Gerais

Prezado Padre Valdir, mais uma missão cumprida, agradeço pelo apoio, motivação, formação e incentivo, pelo fortalecimento da nossa mística de discípulos missionários, comprometidos com o projeto de Jesus na luta por um mundo sem prisões. Obrigada por partilhar conosco alegrias, angústias e esperanças.

Que nossa mãe Maria e seu filho Jesus Cristo te protejam sempre! Que o anúncio do Evangelho e a promoção da dignidade humana da pessoa em privação de liberdade esteja sempre ligado ao nosso compromisso cristão. Receba meu abraço e minhas orações!

Daniel Gomes – Jornalista e ex-assessor de imprensa da Pastoral Carcerária Nacional

Tive a felicidade de trabalhar com o Padre Valdir entre 2013 e 2017, quando fui assessor de imprensa da Pastoral Carcerária Nacional. Enquanto chefe, ele sempre foi alguém muito compreensivo, respeitoso, didático e exigente.

Padre Valdir é um ser humano admirável, que nunca se escondeu da luta pela dignidade de vida dos mais pobres, em especial dos nossos irmãos do cárcere.

Padre Valdir é “o pastor com cheiro das ovelhas”, como pede o Papa Francisco, e um digno testemunho da Igreja em saída. Minha eterna admiração e gratidão por tudo que aprendi com ele.

Haroldo Caetano – Promotor de Justiça

Fé, trabalho e esperança marcaram a passagem do Padre Valdir pela coordenação da Pastoral Carcerária. Com seu trabalho corajoso, levou o Evangelho às mulheres e homens que vivem o sofrimento do cárcere por todo o país, trabalho missionário sempre acompanhado de sua luta em defesa dos direitos humanos.

Sua voz denunciou os horrores dos calabouços brasileiros, insistindo sem cessar no respeito à dignidade humana e na liberdade como os caminhos possíveis para o enfrentamento de tantos problemas.

Para mim, é o Valdir, amigo, gentil e amoroso com quem muito aprendi e a quem devo apenas agradecer. Receba o meu abraço forte, meu irmão!

Marcelo Naves – Assessor de Comunicação da Pastoral Carcerária Nacional

A caminhada de Pe. Valdir e a convivência, a amizade, o companheirismo e os aprendizados que cultivei e cultivo com ele não são mensuráveis em algumas poucas palavras. São muitos os “causos” e histórias também.

Como a sua vida se mistura com a resistência e a luta em defesa da dignidade das pessoas mais violentas pelas opressões e pelo capitalismo, faço memória da ocasião em que conheci padre Valdir: na articulação do Fórum pela Paz na Arquidiocese de São Paulo, ação em decorrência dos “Crimes de Maio de 2006”, onde eu participava como representante da Pastoral da Juventude.

Padre Valdir, bem ao seu estilo, falava que todo o tipo de violência e desrespeito à dignidade da pessoa e aos direitos humanos imperavam nas prisões contra as vidas das pessoas encarceradas. Dizia e cobrava: “Se não interrompermos o encarceramento e os massacres do Estado, nenhuma paz será construída! Vamos continuar aceitando a barbárie que é o sistema carcerário”.

A entrada de muitas pessoas para a Pastoral Carcerária se deu por diálogos e “empurrões” como este, bem característicos de Pe. Valdir. Característica maior, acima de tudo, a coerência e a doação de toda uma vida pela liberdade integral do povo mais oprimido pelo neoliberalismo; vida mobilizada para a promoção da Vida, que faz lembrar as palavras de Pedro Casaldáliga: “Ser o que se é, falar o que se crê, crer no que se prega, viver o que se proclama até as últimas consequências”.

 

 

 

 

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