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Dom Rodolfo Weber: ‘Visitar os presídios é uma experiência marcante e provocativa’

 em Igreja em Saída

Reproduzimos a seguir o artigo publicado em 23 de setembro por Dom Rodolfo Luís Weber, arcebispo metropolitano de Passo Fundo (RS), em que trata da atuação da Pastoral Carcerária e das experiências que já sentiu ao visitar as pessoas encarceradas.

Pastoral Carcerária

Infelizmente, as notícias de violência fazem parte do cotidiano. Sempre que acontecem mais assassinatos e roubos, como está acontecendo no Rio Grande do Sul, o problema recebe atenção especial e não poderia ser diferente. Na campanha eleitoral, o tema é obrigatório. Quando se começa a estudar o assunto e se procura soluções, imediatamente entra em pauta o sistema prisional. Longos debates e estudos trazem questões sobre a finalidade do sistema prisional, sua metodologia e sua situação atual. Este é um problema que não pode ser tratado com superficialidade, pois não existem soluções fáceis. Também no dia 2 de outubro é relembrado o massacre do Carandiru – São Paulo – ocorrido em 1992, no qual foram mortos 111 prisioneiros durante uma rebelião.

A Pastoral Carcerária da Igreja Católica, composta de leigos voluntários, religiosas e padres, visita os apenados. Fazem este pastoreio respondendo ao pedido de Jesus Cristo: “estava na prisão, e fostes visitar-me” (Mateus 25,36). A presença junto aos encarcerados é uma obra de misericórdia num ambiente onde a miséria humana está escancarada. O objetivo geral da Pastoral Carcerária é a “evangelização e promoção da dignidade humana por meio da presença da Igreja nos cárceres através das equipes de pastoral na busca de um mundo sem cárceres”.

A Pastoral Carcerária tem como objetivos específicos: “Anunciar o Evangelho de Jesus Cristo; colaborar para que os direitos humanos sejam garantidos; conscientizar a sociedade para a difícil situação do sistema prisional; velar a dignidade humana; contribuir para a redução da população carcerária; superar a justiça retributiva por meio da justiça restaurativa; promover a inclusão social da pessoa presa”.

Visitar os presídios e os prisioneiros é uma experiência marcante e provocativa. Encontrar-se, face-a-face, com alguém que foi julgado e condenado, por qualquer crime, desperta os mais variados sentimentos. O primeiro é de tristeza pelo sofrimento causado pela ação criminosa. Vem à mente as vítimas e seus familiares, com toda a violência sofrida e os traumas que agora carregam. A ferida do mal sofrido é irreparável. Enfim, quanto sofrimento, quanta dor está por detrás de cada prisioneiro.

Outro sentimento que brota é de compaixão e misericórdia para com os prisioneiros. Objetivamente, os prisioneiros fizeram um mal que justifica sua prisão, foram julgados, condenados e estão cumprindo a pena, conforme a lei. Também vem a pergunta: por que eles se encaminharam por este caminho torto? Houve descuido na sua formação humana? Acima de tudo nasce a inquietação de como ajudá-los, para que, após o cumprimento da pena, possam voltar à sociedade e mudem de vida.

Outro problema sério são as condições sub-humanas dos presídios. Ver com os próprios olhos a realidade prisional, certamente, impacta muito mais do que vê-la pelos meios de comunicação. Se uma das finalidades dos presídios é a reinserção social, que na linguagem religiosa denominamos como conversão, constata-se que, naquelas condições, este objetivo dificilmente será alcançado.

A Pastoral Carcerária orienta-se, nas suas visitas aos encarcerados, conforme o sentimento de Deus: “não tenho prazer na morte do ímpio, mas antes que ele mude de conduta e vida” (Ezequiel 33, 11).

 

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