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A Igreja acidentada, ferida e enlameada, a Igreja em saída

 em Igreja em Saída

2306 Padre GianfrancoO eficientísmo do mundo, que baseia o sucesso de qualquer empreendimento e ação humana sobre os números, está cada vez mais impregnando a ação evangelizadora da Igreja ao ponto de chegarmos a medir a bondade de uma pastoral a partir dos resultados numéricos que ela produz, das mudanças ou manipulações que ela consegue para se adaptar ao molde e exigências que lhes são impostos até da própria instituição religiosa.

Quem sofre com isso são as pastorais sociais. A própria Pastoral Carcerária não é exceção, devido ao fato dela ter de se confrontar diariamente com situações humanas que questionam e exigem posturas proféticas e caminhos na contramão, questionando os alicerces e os fundamentos do próprio modelo de vida, baseado nas aparências, na filosofia do mais forte e de quem pode mais, ou na farisaica e discriminatória categoria “das pessoas de bem”, versão religiosa e moderna da “raça pura”, do século passado na Alemanha.

Seguindo esse pensamento positivista, muitos se perguntam e questionam: vale a pena dedicar ou “gastar” tempo com quem não tem mais jeito, com os descartáveis de nossa sociedade “moderna” e “civilizada”? Ou falando com uma linguagem mais direta: perder tempo com “os bandidos”?

A resposta vem do nosso mestre, um certo Jesus, que nasceu como um clandestino, porque não tinha lugar para ele em casa a não ser na parte dos animais; foi anunciado aos pastores, os desprezados e rejeitados dentro a sociedade judaica; foi refugiado e procurado por Herodes, por ser considerado uma ameaça para seu poderio; ignorado pelos da sua casa, e reconhecido pelos estrangeiros; por ser amigo dos publicanos, das prostitutas e dos pecadores, para socorrer e curar os que precisavam, foi perseguido, ameaçado, preso, condenado à morte e pregado numa cruz no meio de malfeitores, seguindo a sorte dos escravos, daqueles que eram considerados mercadoria; morreu na solidão – abandonado e traído até por aqueles que tinham jurado dar a vida por ele – perdoando o malfeitor; foi enterrado na calada da noite; e depois de ressuscitado foi confundido com o jardineiro, por Maria Madalena, enquanto os seus o trocaram por um fantasma, e Tomé quis ver, quis tocar, colocar suas mãos nas feridas para acreditar.

Como, então, não seguir os passos de Jesus, como não ser Igreja serva, em saída, da rua, dos porões, das cadeias, dos caídos e dos descartáveis de nossa sociedade líquida? Como esquecer as palavras iniciais da Gaudium et Spes ou as diretrizes de Medellin, Puebla e Aparecida e, ainda mais, as palavras proféticas de Papa Francisco? Diz o Papa: “Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças. Não quero uma Igreja preocupada com ser o centro, e que acaba presa num emaranhado de obsessões e procedimentos”. Essa é a alma da Pastoral Carcerária e de quem quer abraçar sua causa profundamente evangélica.

 

Padre Gianfranco Graziola,
Vice-coordenador nacional da Pastoral Carcerária,
Missionário da Consolata


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Artigo publicado na revista Mundo e Missão.

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