'A prisão não resolve a violência no Brasil', diz irmã Petra à rádio Vaticano

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capa_interna_superior_amazonas_radio_vaticanoA temática das precariedades carcerárias no Brasil ganhou destaque na rádio Vaticano, em reportagem veiculada em 13 de fevereiro, que apontou que em dez anos a população carcerária do país triplicou.
Hoje, dos quase 600 mil presos no Brasil, 2/3 são jovens entre 18 e 25 anos, muitos por envolvimento com a comercialização de drogas, levando à superlotação carcerária em unidades prisionais masculinas e femininas, sendo que para mulheres a situação é ainda pior, pois as prisões femininas são adaptações das masculinas.
Entrevistada pela  rádio Vaticano, irmã Petra Silvia Pfaller, vice-coordenadora nacional da Pastoral Carcerária, foi enfática: “A prisão não resolve. Se a prisão ia resolver a violência no Brasil, já deveria ter diminuido faz tempo a violência, pois o Brasil é o quarto país que mais encarcera no mundo”.
A irmã lembrou que existem outras penas alternativas à prisão, tais como os projetos de Justiça Restaurativa, e que é preciso melhorias nas condições sociais das camadas mais vulneráveis da sociedade para que não sejam atraídas à criminalidade.
Há mais de 30 anos no país, a missionária alemã lembrou que a Igreja no Brasil tem dado maior atenção a situação das prisões.  “Há a sensibilização de que nós como Igreja devemos nos fazer presentes lá nos cárceres. Aumentou bastante o apoio e há pessoas que se sentem chamadas para fazer essa visita”, analisou.
Cadeia pública de Manaus: ‘tão precária, tão desumana, nunca vi igual’
interna_inferior_amazonas_radio_vaticanoNa entrevista, irmã Petra também falou de sua recente visita ao estado do Amazonas e de modo especial da condição da cadeia pública de Manaus.
“No presídio em Manaus, na cadeia pública feminina, eu encontrei 400 mulheres em situação tão precária, tão desumana, que eu nunca vi igual. Esgoto aberto, comida que chega sem tapa, eles almoçam sentados no chão ao lado do esgoto, infiltração no presídio todo. Eu entrei num dia em que choveu de madrugada, estava tudo molhado, com paredes molhadas, e tocando nas paredes a gente levou choque. A maioria dos banheiros não funcionava. Numa ala tinham 150 pessoas e havia só um banheiro que não funcionava”, lamentou.
De acordo com a vice-coordenadora nacional da Pastoral Carcerária, nessa mesma cadeia muitos dos presos estavam com processos de julgamento atrasados e em dois anos a quantidade de pessoas encarceradas duplicou.  Ainda segundo irmã Petra, “nesse presídio não tinha crianças, mas tinha gestantes de oitavo mês, do sétimo mês, falaram-me que não há pré-natal, e se houver uma mulher com uma criança é transferida para a penitenciária que é fora da cidade”, recordou.
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