Connection Information

To perform the requested action, WordPress needs to access your web server. Please enter your FTP credentials to proceed. If you do not remember your credentials, you should contact your web host.

Connection Type

Pelo desencarceramento, por um mundo sem prisões

 em Agenda Nacional pelo Desencareramento

Pedro_LagattaA Pastoral Carcerária vem denunciando há tempos a realidade violenta das prisões brasileiras e as consequências da cultura punitivista no Brasil. A sociedade reiteradamente opta pelo encarceramento em massa como suposta solução para os profundos conflitos sociais que nos atravessam. Ocorre que o cárcere não só não entrega aquilo que seus defensores prometem – a paz social, a segurança – como faz aprofundar as violências enraizadas em nossa sociedade.

Nessa mesma coluna, em edições anteriores, dados que corroboram essa interpretação já foram apresentados ao público: em plena democracia, a quantidade de presos cresceu mais de 500% nos últimos vinte anos, alçando o país ao posto de terceira maior população carcerária do mundo – mais de 700 mil presos; muitas vezes, o Estado gasta mais para reprimir do que gasta para cuidar e educar seus cidadãos; a grande maioria dos presos é de jovens de até 29 anos, pobres, pretos, moradores das periferias dos centros urbanos;  ainda, o aumento da população carcerária vem acompanhado da intensificação das degradantes condições dos presídios, superlotados, insalubres, condições essas que já foram condenadas diversas vezes por agências internacionais; as mulheres presas são duplamente punidas, não tendo suas necessidades específicas respeitas dentro daquelas que já foram reconhecidas como “masmorras brasileiras”. A farta coleção de evidências aponta que temos um enorme problema social, do qual somos todos responsáveis pelo enfrentamento. Afinal, os custos sociais da prisão também pesam sobre todos nós.

A Pastoral, como forma de combate à barbárie do cárcere, sempre investiu esforços no engajamento da sociedade com a opaca e obscura realidade prisional: fiscalizando presídios, oferecendo assistência religiosa e humana aos presos e às suas famílias; denunciando a tortura; explicitando alternativas à justiça criminal (sim, há outras justiças possíveis!); e, principalmente, defendendo a necessidade da redução imediata do número presos como única alternativa consistente à violência institucionalizada da qual somos testemunhas em pleno século XXI.

Se a Pastoral já faz isso há décadas, está agora promovendo novas formas pelas quais a sociedade civil pode se engajar nessa luta – o apoio à suas ações institucionais. Buscamos suporte de todos aqueles que, como nós, indignam-se frente à perversão que o cárcere representa, a fim de fortalecer as iniciativas em prol do desencarceramento. São muitas as formas possíveis de apoio – doações financeiras, tornar-se agente de pastoral, voluntariado, entre outras tantas disponíveis em nossa página www.carceraria.org.br – que, no limite, visam romper com a distância entre sociedade e prisão, habilmente arquitetada por aqueles que se beneficiam desse sistema perverso. Convidamos a todos a pensarmos juntos o horizonte de um mundo sem prisões. A Agenda Nacional pelo Desencarceramento (também disponível na internet) sintetiza a nossa compreensão sobre os caminhos possíveis para se atingir esse objetivo.

 

Pedro Lagatta

Assessor de Projetos da Pastoral Carcerária Nacional

*Artigo publicado na edição de setembro da Revista Mundo e Missão

FAÇA PARTE DA PASTORAL CARCERÁRIA

Recommended Posts

Deixe um comentário